A questão do aborto no Brasil
Enviada em 06/09/2019
Desde a Grécia Antiga, o papel das mulheres para com a sociedade era reproduzir; se casavam com até quatorze anos e decisões eram tomadas somente pela parte masculina da população. Na sociedade hodierna, século XXI, algumas situações permanecem estagnadas no Brasil - um país ainda patriarcal e religioso, apesar de laico - assuntos como a legalização do aborto permanecem em pauta e, o que era para ser uma decisão feminina, é discutido por governantes, em sua maioria, homens. Nesse viés, a questão do aborto é, além de saúde pública, sobre a liberdade da mulher dentro de um Estado conservador.
Destarte, é importante analisar a presente situação do aborto no Brasil. Estima-se que 20% das mulheres brasileiras até quarenta anos já abortaram, de acordo com pesquisa realizada pelo Anis Instituto de Bioética, mesmo que seja uma prática ilegal no país. Outrossim, cerca de quatro mulheres morrem por dia, vítima do aborto clandestino. Desse modo, o aborto é, também, assunto relacionado à melhoria da saúde pública, visto que um grande número de pessoas morrem em consequência da não legalização do aborto, o que reflete na falta de regulamentação e de políticas públicas que acolham essas mulheres desamparadas pelo Estado e pela sociedade.
Ademais, o Brasil ser um país que toma decisões com o auxílio de uma bancada evangélica, ainda sendo laico, e com os cargos governamentais majoritariamente ocupados por homens são fatores que contribuem para a perpetuação do risco de vida de mulheres impedidas de tomarem decisões. Desde as civilizações mais antigas, as mulheres enfrentam desafios ao se impor à ideia de ter de apenas ser mãe e cuidar do lar, principalmente por questões religiosas. Continuamente, um assunto pouco discutido é o destino e a qualidade de vida do feto que a mulher que decide abortar carrega. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva afirma que mulheres de baixa renda e negras são as que mais procuram métodos abortivos no Brasil -soma-se ao fato de a maioria das crianças em orfanatos serem negras e ao mesmo tempo as menos procuradas pelos brasileiros.
Em suma, no Brasil, o pensamento patriarcal, egoísta e religioso ainda toma as decisões do país. Nesse sentido, para que o Estado brasileiro se torne mais democrático, os Três Poderes devem formular uma lei que obrigue, por meio de multas e punições, cada camada governamental ter pelo menos a metade dos integrantes composta por mulheres. Faz-se necessário, também, que o governo, à fim de preservar a vida das mulheres, torne legal o aborto no país para que, através das devidas regulamentações, hospitais com melhor estrutura e profissionais qualificados possam realizar o procedimento em segurança. Nessa visão, o Brasil se tornará mais empático para com as mulheres.