A questão do aborto no Brasil

Enviada em 08/09/2019

No livro “A Angústia”, de Graciliano Ramos, uma jovem chamada Marina realiza um aborto clandestino após uma gravidez indesejada. Isto é, na realidade, algo recorrente na sociedade brasileira, cuja ilegalidade expõe ao risco de procedimentos inseguros, milhares de mulheres todos os anos.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que, atualmente, em praticamente todas famílias brasileiras, há alguém que já efetuou um aborto. Segundo uma pesquisa realizada pela UNB, Universidade de Brasília, 20% das mulheres terão abortado ao menos uma vez antes dos 40 anos. Além disso, há de se dizer que, tal ato é feito independente de questões socioeconômicas e religiosas.

Ademais, é importante mencionar que, a ilegalidade não reduz a prática; na realidade, apenas aumentam as complicações dessas operações. Assim como Marina, muitas mulheres passam por procedimentos em locais insalubres e sem estrutura adequada, podendo causar-lhes a morte. É estimado que, todos os anos morram cerca de 47 mil mulheres devido a adversidades nos meios.

Portanto, é responsabilidade do Estado tomar providências para uma melhora do quadro atual. Para que as mulheres tenham direito à liberdade e cuidado com seu corpo, urge que o Congresso Nacional deve descriminalizar o aborto, com a finalidade de garantir a seguridade para aquelas que pretendem realizá-lo. É necessário também, que haja uma conscientização da população, por meio de campanhas alertando sobre a importância do uso de métodos contraceptivos, por parte do Ministério da Saúde, para que não hajam outros casos como o de Marina.