A questão do aborto no Brasil
Enviada em 03/10/2019
O filme romeno “4 meses, 3 semanas, 2 dias” narra a história de uma jovem auxiliando sua amiga a realizar um aborto ilegal. Assim como na Romênia soviética representada no longa, o Brasil hodierno também condena a interrupção da gravidez. Tal proibição proporciona uma miríade de atrasos para o país, cita-se a morte de mulheres que buscam fazer o procedimento ilegalmente e a falta de autonomia do sexo feminino.
Durante os anos 1960, ocorre a notória “Revolução Sexual”, isto é, como o surgimento da pílula anticoncepcional há a quebra de paradigmas relacionados a gênero presentes na sociedade. Isso, uma vez, que agora que a mulher possuía maior controle da natalidade, sua autonomia cresce, possibilitando liberdades como entrar no mercado de trabalho. De maneira análoga, a descriminalização do aborto traria maior emancipação feminina para as brasileiras de hoje.
Em uma segunda análise, pode-se chegar à conclusão de que a questão do aborto no Brasil é também uma questão de saúde. Em tempos hodiernos, é comum mulheres que desejam interromper sua gravidez, recorram a métodos ilegais para fazê-lo. Esses podem ser visitas a clínicas clandestinas ou até a ingestão de medicamentos abortivos proibidos no país, ambos colocam em risco a vida de diversas cidadães. Logo, nota-se a necessidade da oferta de um aborto seguro para poder evitar tantas causalidades femininas.
Em suma, a difícil e perigosa situação da Romênia do século XX retratada no filme supracitado é uma realidade no Brasil do XXI. Com o intuito de superar essa problemática, cabe ao Estado não só prover a opção de um aborto seguro e legal, mas também educar a população para que ele seja o menos necessário possível. Por conseguinte, urge a criação de campanhas nas escolas pelo Ministério da Educação a fim de ensinar jovens acerca da saúde sexual. Ademais, o abastecimento de postos de saúde com contraceptivos de diversos tipos e profissionais aptos a informar a população sobre como utiliza-los seria deveras proveitoso.