A questão do aborto no Brasil
Enviada em 07/01/2020
Na obra ‘‘O conto da Aia’’,grande parte das mulheres da nação se tornaram inférteis,aquelas que são fecundantes são impostas a uma realidade truculenta,perdendo o direito sobre seu próprio corpo ao serem transformadas em instrumentos de reprodução.Fora das páginas,a comunidade feminina também é desumanizada por suas capacidades de procriação,seja por pensamentos obsoletos da população,ou por descaso do poder público,que ao ignorar as taxas de óbito causadas pelo aborto,não trata o mesmo como saúde pública.
O sociólogo Immanuel Kant,diz que as ações,características e personalidade de um indivíduo são frutos do meio social no qual o mesmo está inserido. Dessa forma,nota-se que a sociedade brasileira está enraizada em uma cultura extremamente misógina,tendo em conta que ao longo de muitos séculos a mulher era considerada propriedade do marido,sendo o mesmo dono de seu corpo e decisões.Tal dominação,gera um reflexo no tecido social da nação,não só por uma questão ideológica,mas também porque os responsáveis por tratar da questão do aborto como lei são do sexo masculino.Ademais,os cidadãos se mostram completamentes alienados quanto a gravidade dessa problemática,visto que enquanto os mesmos discutem se existe um ser dentro da mulher,as mesmas morrem em estatísticas elevadas,gerando um descaso com a existência das mesmas.
Além disso,cabe ressaltar que o fato do aborto ser proibido não impede o acesso ao mesmo,apenas gera um acesso a clínicas clandestinas e o lucro das mesmas.Contudo, o aborto só é realizado de forma segura no Brasil,quando a mulher é capaz de arcar com seu custo monetário,sendo assim,a classe feminina da elite realiza o procedimento de maneira’’legalizada’’,ao contrário das mulheres periféricas.Dados postulados pela OMS mostram que a cada 2 dias uma mulher morre por aborto indevido,essas estatísticas comprovam que a ilegalidade gera um problema para a saúde pública da nação,que ao não ser de acesso de todos dá um caráter inconstitucional a essa temática. Portanto,pode-se inferir que a proibição do aborto gera uma deseumanização para com a classe feminina,logo,medidas são necessárias para resolver o impasse.É papel do Governo Federal criar uma Câmara feminina responsável por apresentar as consequências da criminalização do aborto na realidade feminina,para que assim a temática seja discutida pelo poder público. Como também,faz-se necessário que o Ministério da Saúde proteja as mulheres periféricas,apresentando estatísticas ao povo e ao poder público para que assim o aborto seja recolocado,gerando um Brasil mais humano e constitucional.