A questão do aborto no Brasil
Enviada em 11/05/2020
Com o Manifesto das 343-publicado em 1971-ocorreu a discussão acerca da punibilidade do aborto na sociedade civil francesa.Analogamente,tal fenômeno social ganhou repercussão no Brasil hodierno,já que são perceptíveis a realização de abortamentos clandestinos e o lamentável desrespeito à autonomia feminina.Sendo assim,não só é necessário analisar os motivos que direcionam a essa ação,como também apresentar os efeitos para os agentes sociais.
Consoante a filósofa francesa Simone de Beauvoir,o meio social,por possuir uma hegemonia patriarcal,enjaula e limita as escolhas das mulheres.Dessarte,esse controle vil é patente através da violência sexual,que reifica o corpo feminino,do precário acesso à informação e à distribuição referentes à métodos anticonceptivos e da descontinuação da formação educacional ou da carreira profissional,devido à uma gravidez indesejada,que,em consonância com o abandono parental masculino,podem resultar na interrupção da gestação como consequência do desamparo governamental e das desigualdades socieconômicas.
Outrossim,segundo dados do Sistema Único de Saúde(SUS),a curetagem uterina é o segundo procedimento obstétrico mais executado no país.Nesse contexto,muito além das despesas financeiras provenientes de um aborto insalubre,é notório o surgimento de complicações como a infertilidade,hemorragias,câncer de mama e óbito,produtos de imperícia.Ademais,é frequente,infelizmente,o juízo de valor e a pressão moral perpetrados pelo agrupamento religioso,pela família e até pela equipe de saúde,que podem ser a força motriz para o desenvolvimento de doenças psicossomáticas como a depressão e o impulso suicida.
Cabe evidenciar,por conseguinte,a pluralidade das atuações para mitigação da problemática.Os Poderes Legislativo e Executivo,em diálogo com a população,devem propagar a discussão por intermédio de palestras com representantes do Direito e profissionais da área da saúde nas mídias tradicionais-televisões e rádios-e nas alternativas-redes sociais em geral-com o fito de esclarecer possíveis dúvidas e instruir a sociedade como descriminalizar o aborto,a exemplo da França.Em paralelo,urge a elevação da acessibilidade aos métodos de planejamento familiar,como pílulas anticoncepcionais e a educação sexual,além do atendimento pós-aborto,com o intuito de suprimir possíveis traumas,mormente em tenra idade.Desse modo,poder-se-á proporcionar segurança sanitária como objetivado na sociedade francesa na década de 1970.