A questão do aborto no Brasil

Enviada em 30/06/2020

“O aborto deve ser seguro, permitido e raro”, a frase de Bill Clinton (ex-presidente dos Estados Unidos) evidência como o aborto deveria ser tratado na atualidade. Porém, no Brasil a questão ainda é um tabu, impossibilitado o debate do assunto, assim como sua diferenciação como problemática religiosa ou de saúde pública.

O Brasil, país formado por uma cultura católica acaba por criar ideários sobre a vida e a sua ligação com os preceitos religiosos. Dessa forma, pessoas acabam por disseminar discursos rasos e preconceituosos sobre o aborto. Levando em consideração exemplos como: Itália, Portugal e Espanha países de matrizes católicas que tem o aborto legalizado, mostram melhorias no quesito social, porque a descriminalização abre caminhos para um pacote de medidas de acesso à informação, de quebra dos estigmas e do tabu. Assim, entende-se, que o problema não está na igreja, e sim na falta de informação.

Outrossim, há a questão de inevitabilidade e de saúde pública. O aborto sendo legal ou não, as pessoas com vontade/necessidade de abortar vão faze-ló. Dado disso é a pesquisa realizada pela Universidade de Brasília, na qual aponta que que uma em cada cinco mulheres já terão feito um aborto. O número torna-se ainda maior quanto analisado os riscos da prática ilegal, mulheres ficam suscetíveis sequelas psicológicas, perda do útero e até a morte. Nesse aspecto a legalização é uma forma de garantir a segurança à vida, assistência médica, e a liberdade feminina. Consoante a isso, a saber, que legalizar não é banalizar.

Fica claro, portanto, a discriminalização é uma medida de humanidade e de entendimento que a mulher precisa de proteção. Por conseguinte, precisa-se do trabalho por meio das mídias de comunicação e escolas para a conscientização da sociedade, assim como a discussão sobre educação sexual, e entender que o aborto deve-se ser a última saída e uma escolha acautelada. Dessa maneira, o Brasil poderá aproxima-se do ideário de Clinton.