A questão do aborto no Brasil
Enviada em 13/07/2020
Na obra “Mater Dolorosa” de Castro Alves é observado a morte de uma criança pela própria mãe, uma vez que ela queria livrá-la da realidade vivida pelos negros. De semelhante modo, o aborto no Brasil está diretamente ligado a uma realidade crítica atual: a incapacidade econômica de sustentar um filho somado à falta de conscientização juvenil acerca dos métodos contraceptivos.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a incapacidade econômica familiar é um dos fatores responsáveis pela intensificação da prática de aborto. Essa correlação fundamenta-se no fato de que a maioria das famílias brasileiras (segundo o Instituto de Geografia e Estatística-mais de 67%) estão na linha de pobreza, não usufruindo, muitas vezes, do básico para sobreviver, uma vez que aumento do desemprego, entre outros fatores, são responsáveis por descumprir os direitos básicos de um indivíduo, os quais são previstos na Constituição de 1988. Nesse sentido, com a impossibilidade de ofertar uma vida digna ao seu filho, muitas famílias optam pela prática abortiva que, como não é legalizada no país, tem ocasionado diversas mortes de mulheres nos hospitais clandestinos. Dessa forma, faz-se necessário uma efetiva atuação governamental para a concretização de um cenário de mudanças.
Ademais, sob ótica sociológica, a falta de conscientização juvenil acerca dos métodos contraceptivos é outro fator responsável pela proliferação dessa prática. Isso pode ser explicado pela herança “carpie diem”, ou seja, de aproveitar o agora, sem se importar com as consequências futuras, uma vez que há falta de conscientização pela família, a qual se limita a falar sobre esses métodos, com a desculpa de que isso incentiva a prática sexual, por exemplo. Nesse ínterim, uma gravidez não planejada se converte, em muitos desses casos, em abortos, visto que um filho na juventude, na maioria das vezes, não é interpretado de forma positiva. Nesse contexto, parafraseando o filósofo contemporâneo, Luiz Felipe Pondré, a falta de uma conscientização responsável sobre o aborto tem sido responsável pela perpetuação de um cenário banal.
Portanto, é imperativo que o Ministério da Educação, por intermédio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, auxilie de forma econômica as famílias que estão na linha de pobreza, o qual pode ser feito por intermédio do incentivo governamental no aumento de postos de trabalhos nas empresas nacionais e transnacionais, possibilitando condições financeiras melhores às famílias. Paralelamente, é fundamental que as mídias construam um espaço de conscientização social sobre a importância da utilização dos métodos contraceptivos, sobretudo, pela população jovem, o qual pode ser feito por intermédio de debates televisivos, mostrando situações reais desse tema. Agindo assim, uma sociedade mais justa e consciente sobre o aborto será formada para ação e benefício de todos.