A questão do aborto no Brasil

Enviada em 05/08/2020

De acordo com a Organização Mundial da Saúde(OMS), a cada dois dias uma mulher morre vítima de aborto ilegal no Brasil. Somente entre 2008 e 2017, o SUS gastou 486 milhões com internações devido ao procedimento clandestino, de acordo com o Ministério da Saúde. Ao invés de criminalizar ainda mais o aborto, não seria mais vantajoso um procedimento legal e seguro?

Em primeira análise, é evidente os privilégios masculinos e o machismo presentes na sociedade, conservou-se na mesma e perpetuou a exclusão das mulheres. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, o poder se molda em uma linguagem que cria mecanismos de controle, os quais aumentam a submissão. Sob essa ótica, é constatado um discurso na modernidade em que o estado e os homens tem mais direito sobre o corpo feminino do que a própria mulher que nele vive.

Além disso, uma comunidade que restringe o acesso ao aborto legal, por meio da religião, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade de gênero.Nesse sentido na teoria da percepção do estado, de Émile Durkeim, existem duas divisões: ¨normal e patológico¨, em crise rompe com o seu crescimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa maneira, com o aborto sendo decidido por homens - que muitas vezes não levam em consideração a renda baixa das mulheres que morrem vítimas da clandestinidade - a legalização torna-se inviável.

Destarte, para que as mulheres consigam o acesso pleno ao aborto legal, é preciso que o Ministério da Saúde, juntamente com o STF, promova a ampliação do SUS para que haja condições do procedimento gratuito ocorrer de forma realmente segura. Mas também é necessário que o Ministério da Educação promova a educação sexual nas escolas, afim de precocemente evitar gravidezes indesejadas e por consequência futuros procedimentos.