A questão do aborto no Brasil

Enviada em 12/05/2021

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações políticas, econômicas e sociais são características da “Modernidade Líquida”, vivida no século XX. Com isso, surge a problemática da questão do aborto no Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela ineficiência midiática.

Sob esse viés, é indubitável que a questão governamental esteja entre as causas. Nesse contexto, o teórico Karl Marx aborda a injusta ação do Estado que atende apenas à classe dominante. Dessa maneira, alienados pelo capitalismo e pelos valores líquidos da atualidades, alguns governantes negligenciam a necessidade de mudança em relação à questão do aborto no Brasil, visto que, segundo O globo, estima-se que 70% das mulheres que fizeram aborto, 43 % delas são mulheres de baixa renda e que tiveram que procurar uma clínica clandestina, desse porcentual de mulheres de baixa renda, 22% perdem suas vidas na retirada do feto e nada é feito para mudar essa realidade. Nesse horizonte, esta instituição tem uma função social clara, regulamentada e imprescindível para uma convivência digna e harmônica entre os cidadãos. No entanto, o Estado relaciona-se com a população de forma omisso e negligente.

Outrossim, destaca-se a ineficiência midiática como um dos fatores desse impasse. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt, em “A banalidade do mal “, refletia sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando situações sem questionar. O pensamento da filósofa está relacionado ao contexto da alienação social, no qual os sujeitos empresariais se calam diante das questões do alto índice de mortes entre mulheres que praticam o rompimento da gravidez, uma vez que a mídia é um meio controlado por empresas de comunicação. Sendo assim, essas empresas são movidos por um ideal lucrativo e não em resolver ou amenizar problemas sociais.

Em suma, são necessárias medidas governamentais para resolver esse impasse. Posto isso, cabe ao governo federal, em parceria com o Ministério da Saúde, criar um projeto que garanta que as mulheres de toda a camada social tenham os melhores procedimento para a realização do aborto, a ser entregue à Câmara dos Deputados, por meio de uma lei que determine que o procedimento da retirada do feto seja legal em todo o território nacional, com a participação de psicólogos para acompanhar a paciente antes da realização do ato, com objetivo de trabalhar sua saúde psicológica. Dessa forma, será possível garantir uma saúde que , de fato, íntegra os cidadãos e promova a igualdade de direitos.