A questão do aborto no Brasil
Enviada em 19/08/2020
No ano de 1920, a União Soviética se tornou o primeiro país do mundo que autorizou a prática do aborto legal. Apesar deste fato aniversariar cem anos, este tema ainda é um tabu em inúmeras nações ao redor do mundo, entre elas o Brasil. A resistência por parte da sociedade brasileira para a aceitação da legalidade de métodos abortivos se dá pela falta de informações precisas à respeito da temática e pelo fanatismo religioso ainda enraizado na política.
Primeiramente, é necessário ressaltar que a cada dois dias uma mulher brasileira morre em razão da prática de abortos clandestinos, como reportou o portal Catraca Livre. No entanto, é notório que a massa social brasileira não possui conhecimento desta classe de informação, o que os leva a acreditar que a criminalização prossegue como a melhor forma de combate à pratica. Em contrapartida, segundo o Jornal do Comércio, países como a Holanda onde existe maior flexibilização e acompanhamento psicológico para as mulheres, as taxas de aborto permanecem entre as menores do mundo. Sendo assim, é evidente que a proibição legal não é uma alternativa viável, estratégica ou ética para a resolução do problema.
Ademais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é categórico em afirmar que os cristãos somam mais de 80% da população brasileira. Este dado é capaz de explicar a presença inerente de líderes religiosos dentro dos espaços políticos. O fato de existir uma comunidade cristã tão extensa e bem representada no contexto parlamentar, permite que decisões legislativas e executivas sejam tomadas à partir de princípios religiosos. Logo, não existe uma eficiência por parte desses parlamentares na função de representar os interesses coletivos da população e sim os de seus respectivos nichos religiosos.
Portanto, é necessária que uma medida de educação e empoderamento feminino seja abordada pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em parceria com o Ministério da Educação para que haja uma conscientização científica a respeito do tema. Essa medida deverá ser realizada através de políticas de educação sexual nas escolas, que tragam como foco a prevenção de uma gravidez indesejada, além de fornecer dados e alternativas implantadas por outras nações para que assim possa se esperar uma sociedade mais crítica e aberta para esta questão. Desta forma, será possível se discutir a abertura de uma legalização plena no futuro.