A questão do aborto no Brasil

Enviada em 05/09/2020

Clandestinação da liberdade

É inegável que, em consonância com a professora americana Angela Davis, “temos que falar sobre libertar mentes tanto quanto sobre libertar a sociedade”. Tal reflexão pode ser associada à necessidade de discutir a legalização do aborto, uma vez que esse assunto é um dilema na sociedade brasileira. Dessa maneira, vê-se que há uma defasagem social e negligência governamental. Dessa forma, é fulcral que medidas sejam estabelecidas para atenuar essa problemática.

A priori, cabe ressaltar que, de acordo com o filósofo Blaise Pascal ,“toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento”. Diante dessa análise, percebe-se que as ações são fundamentadas pelo raciocínio, sendo, por conseguinte, cônscio ou nefasto. Tal observação pode ser retratada à proporção que há falta de conformidade da sociedade em relação às práticas do aborto em virtude dos valores individuais sendo, consequentemente,  manifestadas pela religião ou pelos princípios éticos. Nesse contexto, vê-se que há um julgamento, sobretudo patriarcal, referente a essa situação, uma vez que as mulheres são julgadas por cometerem tais atos e, consequentemente, menosprezadas pela população.      Outrossim, é perceptível que, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 22 milhões de abortos ocorreram em lugares insalubres e sem a estrutura adequada em 2014 a 2016. Esse dado demonstra a necessidade de legalizar o aborto, principalmente no Brasil, proporcionando, por consequência, a liberdade de escolha da mulher. Entretanto, vê-se que a lei brasileira, do artigo 128 do código penal, promove restrições quanto ao aborto legalizado, como, por exemplo, apenas em casos de estupro. Desse modo, é nítida a negligência governamental, haja vista que não há uma reforma da lei que amplie os direitos da mulher no que tange a esse assunto.

Dessarte, é crucial que intervenções sejam determinadas a fim de mitigar esse descaso. Sendo assim, é imprescindível que o Ministério da Saúde , em concrescência com a mídia, divulgue propagandas, por meio dos canais televisivos, com o fito de conscientizar a população a promover a tolerância e empatia sobre o aborto praticado pelas gestantes. Ademais, cabe ao Governo promover a legalização do aborto e,juntamente com o Ministério da Saúde, proporcionar o atendimento às gestantes, evitando, portanto, a clandestinação dos procedimentos da retirada do feto.