A questão do aborto no Brasil
Enviada em 10/10/2020
‘‘Ninguém tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender.’’, está frase atemporal de Raul Seixas mais que nunca trás a pauta da mulher ao seu próprio corpo. No cenário contemporâneo brasileiro há uma grande massa de conservadores no poder, e o resultante disso é menos desenvolvimentos sociais. Diante o número de abortos em clinicas clandestinas só aumenta a cada ano.
Em 2020 o Brasil parou para presenciar um de muitos casos de estupros de vulneráveis, o incidente ocorreu com uma criança de 10 anos, onde a mesma se encontrava gravida. A partir desse ponto ocorreu diversas discussões e protestos acerca do caso, um desses que ficaram em mais evidencia foi a bancada evangélica que se posicionou em frente ao hospital onde seria realizado o procedimento e tentou impedir que ocorresse, esse tipo de situação só faz com que a mulher vitima de abuso sexual se sinta cada vez mais reprimida e ao invés de recorrer para a justiça vão para ‘‘clinicas’’ clandestinas. Desse Modo podemos reiterar que o aborto clandestino constitui a quinta causa da morte materna na nação brasileira, situação que configura um problema de saúde pública de significativo impacto, segundo o Ministério da Saúde.
É indubitável que as crises financeiras, a instabilidade econômica do país e familiar ou apenas a escolha pessoal atuem na decisão de abortar ou não. Na crise de 1929 nos Estados Unidos, famílias inteiras cometeram suicídio e muitas mulheres abortaram. Em vista disso, o mercado de trabalho cada vez mais acirrado e a necessidade de se especializar para conseguir estabilidade financeira, impulsionam a prática abortiva. O planejamento familiar atua como principal causa para esses grandes números no Brasil, em suma maioria as negras periféricas que mais sofrem com isso, e pasmem são as que mais morrem em clinicas clandestinas, “Esses números e o perfil das mulheres em maior risco, diretamente relacionado a condições de vulnerabilidade, evidenciam que o aborto no Brasil é um problema de saúde pública”, diz Fernanda Morena dos Santos B. Vieira, coautora do estudo.
Destarte, convém ao conselho de Medicina permitir a prática abortiva, realizada por médicos ginecologistas e obstetras, em mulheres nos hospitais públicos e privados em todos os casos para assim evitar o uso de clandestinidade. E o Ministério da Saúde, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), deve oferecer à gestante suporte psicológico e psiquiátrico para aquelas que optem em realizar este procedimento. Enquanto isso o governo deve fazer palestras sobre planejamento familiar e a escola deve ensinar sobre educação sexual nas salas de aula. Só assim, melhoraremos a saúde da mulher e ajudamos nossos futuros adultos a melhorar sua qualidade de vida.