A questão do aborto no Brasil
Enviada em 12/10/2020
Meu corpo, minhas regras
O aborto é a interrupção precoce de uma gestação antes que o feto seja capaz de sobreviver fora da mãe. No antigo mundo grego-romano, o embrião era considerado parte do corpo da mulher, e então parte da propriedade do homem, assim essa ação só podia ser realizada com a autorização do marido. No Brasil, o abortamento só pode ser feito em 3 situações: em caso de estupro, se a mãe correr risco de vida ou se o feto for anencéfalo. Na visão de muitos essa prática é considerada errada, devido acreditarem que estão tirando uma vida.
Segundo uma pesquisa realizada pela Anis (Instituto de Bioética), uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já abortaram no país. Muitas mulheres não se encontra em nenhuma das situações, citadas a cima, e então recorrem ao aborto clandestino que apresenta risco de vida a gestante. Na música “Xeque-Mate”, de Igor Kannário, ele faz você pensar o que escolheria: legalizar o aborto ou deixar aquele indivíduo nascer sem amor em um país tão desigual.
Falar desse tema não é fácil uma vez que ele envolve questões morais, éticas e religiosas o que tornam o assunto muito complexo e polémico. Recentemente repercutiu o caso da criança que foi vítima de estupro pelo tio e realizou o aborto, devido a isso diversas pessoas “caíram” em cima dizendo: “isso não é certo” e “deixem o bebê nascer”. Ou seja, se preocuparam mais no nascimento que nem fizeram as perguntas certas: Quem vai cuidar desse recém-nascido? A família tem condições de criar essa criança? Muitas vezes pensamos mais no presente e esquecemos olhar para o futuro.
Precisamos pensar o que pode ser feito para as mulheres que não se encontram nas situações previstas na lei do Brasil para realização do aborto. O governo, através do Ministério, tem de investir em educação para que ensine aos jovens sobre métodos contraceptivos para que não seja necessário o abortamento. Os pais tem de ensinar seus filhos, através de conversas,que não devemos julgar as escolhas dos outros antes olhar toda a situação para que assim não ocorra o que aconteceu com a criança que abortou. Sócrates sustentava que o aborto era “um direito das mulheres e os homens não tinham voz nestes assuntos”.