A questão do aborto no Brasil

Enviada em 12/10/2020

Na série original Netflix “Sex Education”, somos apresentados a personagem Maeve Wiley, que em sua adolescência, realiza um aborto com médicos especialistas, descriminalizado e seguro. Fora das telas, este ainda é um tema bastante tabu e polêmico, no qual, em sua maioria das vezes, é levado para o lado pessoal e não argumentativo em discussões. Tendo em vista que o aborto clandestino e criminalizado mata centenas de mulheres anualmente, é imprescindível buscar meios de reverter essa situação.

Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde e do Instituto Guttmacher (EUA), publicada em 2016, demonstrou que nos países em que o aborto é proibido o número de procedimentos não é menor do que em lugares onde é legalizado. E, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, desenvolvida pela Anis – Instituto de Bioética, uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já abortaram no país. Assim, através desses dados, pode-se perceber que, legalizado ou não, o aborto continua acontecendo no Brasil.

No ano de 2007, Portugal autorizou o aborto até as 10 semanas de gestação. Dez anos depois, pesquisa da ONG Associação para o Planejamento da Família mostra que o número de abortos caiu e as mortes decorrentes da prática são quase nulas. Então, quanto mais esse tema é abordado de maneira informativa e imparcial, a educação sexual terá efeitos significativos e menos mulheres buscarão optar pelo aborto, escolha a qual elas deveriam ter direito de fazerem.

De acordo com o ex-ministro da Saúde e representante da Academia Nacional de Medicina José Gomes Temporão, nem mesmo a ciência é capaz de garantir a eficácia completa dos métodos contraceptivos. Além disso, meios mais famosos como a cartela anticoncepcional e o DIU, podem trazer efeitos colaterais para as mulheres, como dores de cabeça e náuseas, além de ganho de peso, no caso dos anticoncepcionais. Assim, mesmo fazendo o uso contínuo desses métodos, as mulheres não têm garantia de que não podem engravidar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. O Supremo Tribunal Federal deve legalizar o aborto seguro, para que as mulheres possam ter direito e suporte para qual escolha seguirem. As escolas, por sua vez, devem abordar o tema de maneira objetiva, ampliando a educação sexual informativa em sala de aula, para que desde cedo os jovens já tenham conhecimento sobre o assunto. E o Governo Federal em parceria com a mídia, através do seu alcance em massa, deve lançar matérias sobre a temática a fim de educar a população. Desta forma, teremos mais Maeves no mundo e menos mulheres mortas por falta de segurança ao realizar um aborto.