A questão do aborto no Brasil

Enviada em 24/10/2020

“Precisamos mesmo superar esse caso de amor com o feto e começar a nos preocupar com as crianças”. Como a administradora de saúde pública, Jocelyn Elders, disse em sua citação, a sociedade gasta muito tempo pensando nos bebês que ainda nem nasceram, mas não se preocupam com as crianças do país. As crianças que são negligenciadas pelos pais e jogadas na rua, as crianças que são condenadas a viver em condições desumanas por causa da tirania dos responsáveis, por causa disso, o aborto deve ser legalizado no Brasil.

A criminalização do aborto não impede que o aborto aconteça, apenas aumenta o número de procedimentos ilegais que colocam em risco a saúde de várias mulheres pelas complicações durante as cirurgias que são feitas em locais mal preparados. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, cerca de um milhão de abortos ilegais aconteceram no Brasil e, de 2006 a 2015, 770 mulheres morreram em decorrência de complicações na realização de um aborto ilegal no Brasil. Os dados apenas confirmam o quão necessária é a legalização do aborto, essa medida reduziria o número de abortos ilegais, minimizando o número de mortes de mulheres que não resistem a esse procedimento.

A situação é caótica e ainda há outro fato importante: vivemos em uma sociedade patriarcal, na qual as mulheres são julgadas todos os dias e, quando decidem fazer o procedimento, a situação não é diferente. A sociedade patriarcal retém as mulheres de seus próprios direitos e continua a fazer o homem querer controlar a vida da mulheres como se fosse a sua. Isso é importante porque as mulheres desejam liberdade. As mulheres querem ser apoiadas, querem que o mundo escute-as e dê-lhes o direito de decidir o que é melhor para elas e para a sua segurança. Enquanto a sociedade as negligencia, as mulheres buscam um procedimento que, por algum motivo, ainda é ilegal e, por ser feito às escondidas e de forma errada, pode custar, às vezes, suas vidas.

A 5ª emenda da constituição democrática do Brasil afirma que todos são iguais perante lei. Para que isso seja verdade, é necessário que as mulheres tenham controle sobre suas próprias vidas. Suas vozes precisam ser ouvidas e seus direitos como cidadãs devem ser garantidos. Ademais, como evidenciado pelos dados, ao dar-lhes o direito de fazer um aborto, muitas vidas seriam salvas. Possuir o direito de fazer um aborto não significa que todas as mulheres o farão, significa simplesmente que as mulheres devem ser as únicos a decidir o que fazer com seus corpos, não o Estado.