A questão do aborto no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Na física, o conceito de entropia mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. Fora das ciências da natureza, o aborto no Brasil se tornou um fenômeno que apresenta um grande grau entrópico, dado que é alvo de discussões importantes e traz consigo marcas do preconceito da sociedade e da má administração pública. Assim sendo, evidencia-se a configuração de uma problemática, em virtude dos impactos à higidez cognitiva desses cidadãos e da legislação deficiente.

Antes de tudo, a saúde mental dos seres humanos que realizam esse ato é fortemente atingida. Nesse sentido, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estar saudável é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença. Nessa perspectiva, as mulheres, homens transsexuais e pessoas não-binárias que abortam sofrem repressão da sociedade, porque esse procedimento é encarado como imoral por diversas esferas sociais. Além disso, essa pressão pode afetar diretamente o bem-estar psicológico dessas pessoas, visto que isso pode gerar o sentimento de culpa e alienação nesses indivíduos e dar origem a quadros graves de ansiedade e depressão.

Ademais, as políticas para com a aborção no país são insuficientes. Desse modo, a máxima do filósofo Aristóteles de que “A política tem como função preservar o respeito entre as pessoas de uma sociedade” cabe perfeitamente. Dessa maneira, o aborto não é legalizado na nação brasileira e só pode ser realizado em casos de estupro, ou caso haja algum risco para aqueles que concebem os filhos. Em vista disso, essa ilegalidade gera a procura por locais clandestinos e insalubres para a realização desses procedimentos, o que pode gerar graves consequências para esses sujeitos, não só com danos permanentes à saúde, como também com a possibilidade de morte.

Infere-se, portanto, que essa questão deve ser tratada com mais importância. Dessa forma, o Ministério da Cidadania, juntamente ao apoio dos órgãos de psicologia, deve, por meio de verbas públicas, criar um programa de assistência às pessoas que pretendem abortar. Logo, caso se encaixem nos critérios estabelecidos pelas entidades governamentais, esse programa redirecionaria esses cidadãos a clínicas especializadas. Outrossim, ofertaria ajuda psicológica para indivíduos que podem efetivar essa ação e para aqueles que, segundo a justiça, não podem realizar esse ato legalmente, assim todos gozariam desse benefício e seriam estimulados a não procurar locais clandestinos para efetuar essa atitude. Em síntese, a partir dessas práticas, essa situação poderia ser administrada de uma forma melhor no país.