A questão do aborto no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Legalização do aborto: direito da mulher

Segundo Platão, em sua obra “O Mito da Caverna”, vivemos em um mundo limitado onde acredita-se somente naquilo que parece ser real. Partindo dessa analogia, temos a legalização do aborto, muito criticado por parte da população e apoiado por outra, onde a decisão sobre seu corpo deveria vir da mulher, a qual decidiria continuar ou interromper a gestação. No entanto, temos no Brasil grandes impasses sobre essa problemática, como a falta de métodos para prevenção totalmente seguros e também, de medidas governamentais.

Por muito tempo, foi compartilhada em diversas contas nas redes sociais para debate a foto meramente ilustrativa de um bebê ainda no útero segurando um DIU (dispositivo intra-uterino). A partir disso, a cultura da fala clichê que a mulher engravidou por não se preservar se torna totalmente contraditória mesmo usando de medidas de proteção, as quais, nenhuma apresentando 100% de eficácia. Vale ressaltar ainda, a falta de outras opções no mercado para o homem, onde a obrigação de se prevenir e sustentar o indivíduo, na maioria das vezes, é exclusiva da mulher, pois acorre a falta da figura paterna.

Em dezembro de 2020, a Argentina legalizou o aborto gratuito e seguro no país para todas as mulheres. Isso se mostra um desenvolvimento superior ao Brasil diante à isso, onde o processo é burocrático e restrito a mulheres que foram vítimas de estupro e portador de uma doença que afete a vida de ambas. Assim, consta-se na obra Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman onde as instituições políticas acabam não exercendo sua função social, onde é o caso do Ministério da Saúde que se tornou “zumbi” para o fato da prática do aborto ilegal continuar existindo, o qual, provocando milhares de vítimas e sequelas irreversíveis.

Todavia, nota-se a grandeza do problema do aborto em território brasileiro, sendo que o mesmo está presente, porém de maneira ilegal. Portanto, a busca pela conscientização da parte contra deve ser abordado usando de recursos dos meios de comunicações, palestras, e panfletos em locais públicos para mostrar a importância da legalização e banalizar o preconceito existente. Cabe também, o auxílio a pessoas e mães solteiras que não possuem condições de criar seus filhos. Assim, indo contra o filósofo Bauman, onde a instituição passaria a exercer sua função social.