A questão do aborto no Brasil

Enviada em 23/11/2021

Ao afirmar, em sua célebre frase “Se o aborto é um mal a clandestinização dele é uma catástrofe” o escritor português Álvaro Cunhal aponta, de certo modo, a principal problemática em relação a essa prática. De fato, ele está certo, pois além de causar o falecimento do feto, pode conjuntamente levar a morta da portadora também. Não é um problema exclusivamente atual, uma vez que esse óbice acontece  desde a antiguidade com uso de ervas abortivas e outros meios de interrupção. Desse modo, na contemporaneidade, as dificuldades ainda persistem, seja pela decisão da mulher, seja por questão de saúde.

Sob essa perspectiva, convém enfantizar que a ação dessa parcela feminina está entre as principais causas da questão do fetícidio. Nessa óptica, segundo a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA),

20% das mulheres terão feito ao menos um aborto ilegal ao final da vida reprodutiva. De maneira análoga, é perceptível o fato de que tais recorrências tem sido uma problemática no Brasil, causando muitas vezes o óbito das mesmas além do feto que carrega no útero. Dessa forma, é ináceitavel que, em pleno século XXI, ainda há pessoas que praticam esse crime contra seu próprio corpo.

Além disso, as enfermidades surgem como mais um dos fatores que agravam o impasse. Nesse contexto, de acordo com o órgão competente responsável, os procedimentos inseguros de interrupção voluntária da gravidez levam à hospitalização de mais de 250 mil mulheres por ano, cerca de 15 mil complicações e 5 mil internações de muita gravidade. Por conseguinte, levando a mulher a perfuração do útero, infecções, tétano e outros agravantes prejudiciais para a anatomia desses seres humanos, o que era para ser um procedimento seguro, visto que, em alguns casos é necessário para a mulher não perder a sua vida. Dessarte, fica evidente a ineficiência do governo na resolução dessa situação caótica.

Fica evidente que a interrupção por iniciativa ou por questão da saúde praticadas por meio clandestino são prejudiciais ao que remete o assunto abordado e que, portanto é necessário mudanças. Por isso, o Ministério da mulher, Família e Direitos Humanos, que defende os direitos humanos da minoria no nosso país, deve promover campanhas, por meio de reuniões feita com as autoridades presentes. Nesse sentido, o intuito de tal medida é para que se observe os casos que possuem o risco maior de vida, e assim, legalizar o aborto para este grupo e, consequentemente diminuir esse impacto negativo que o aborto causa. Feito isso, encerra-se o clico de um mal da clandestinização e cabe apenas aguardar as medidas que deveram ser tomadas.