A questão do aborto no Brasil
Enviada em 20/11/2021
O aborto no Brasil é considerado crime contra a vida e geralmente, ocorre de forma ilegal. Tendo isso em vista, as estatísticas sobre tal são subnotificadas mas, é certo que muitas mulheres morrem em clínicas ilegais em decorrência de abortos inseguros, além disso, a criminalização do aborto também tem grande impacto social porque, enquanto mulheres ricas podem pagar para fazer abortos em países onde é legalizado ou clínicas privadas, as mais pobres recorrem as clandestinas.
Embora existam casos no Brasil em que o aborto é legalizado, tais como: risco de morte, feto com anencefalia e estupro, de todos hospitais que o realizam legalmente, todos atendem em casos de estupro mas, nem todos atendem em decorrência dos outros fatores, além de que são poucos os que o realizam de forma legal, em torno de 37. Segundo a PNA (Pesquisa Nacional de Aborto), cerca de 50 mil mulheres morrem em decorrência de abortos clandestinos. Isso acontece porque mesmo quando a mulher atende os critérios para realizá-lo legalmente o acesso é bastante precário, então elas acabam procurando medidas ilegais e, muitas vezes morrendo.
Ademais, muitas das mulheres que procuram aborto não tem condições ou idade para criar uma criança, o pai não quer assumir, etc, interrompendo também o planejamento familiar e a igualdade de gênero, visto que elas são julgadas não só pelo próprio psicológico, mas também pela família, amigos, por vezes até por desconhecidos. Assim foi o caso da Maeve de Sex education que ao ir abortar, na frente da clínica religiosos seguram cartazes e gritam na cara dela, oprimindo para que ela não realize, quando ela enfrenta até dificuldades para se manter financeiramente e, pós-aborto para lidar com a culpa. A desigualdade de gênero se dá pois muitas vezes ocorre o aborto paterno, que é quando o pai desaparece como se nunca tivesse tido um filho e, por não ser cobrado como a mulher, ele acaba podendo decidir se quer criar um filho ou não.
Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Educação considere a inserção da educação sexual no Brasil, informando melhor a população sobre métodos contraceptivos, de modo a reduzir o aborto, e que esse se torne um tema mais falado, afim de quebrar os tabus existentes sobre tal. Também se faz necessário que o Ministério da Saúde, por meio da Política Nacional de Saúde determine quando a vida de um embrião começa na constituição, para que mulheres tenham tempo para resolver os procedimentos legais, sem ferir os direitos de outro ser humano e, montar um planejamento familiar que atenda ao que cada uma espera ou consegue lidar, assim, tornando o Brasil um lugar com menos desigualdade de gênero e social.