A questão do aborto no Brasil

Enviada em 06/01/2022

Dirigido por Daniel Filho, o seriado de televisão “Malu Mulher” (1979-1980), retrata a condição da mulher brasileira no final dos anos 70, através do cotidiano da socióloga paulista, Maria Lúcia Fonseca. Ao decorrer da trama, diversos assuntos foram abordados, assim, é válido mencionar o episódio “Ainda não é a hora” sobre a legalização do aborto. Fora da ficção, surge a questão da descriminalização do aborto, que persiste intrinseca à realidade brasileira. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, fatores como falha legislativa e má influência midiática caracterizam tal cenário temerário.

Em primeiro plano, a falha legislativa é considerada um complexo dificultor. Segundo o Código Penal, o artigo 124 acentua: provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque (pena - detenção, de um a três anos). Nesse sentido, no Brasil, a problemática não encontra o respaldo político necessário para ser solucionado, visto que as mulheres têm direito à autonomia reprodutiva e o aborto criminalizado viola tal preceito. Dessa forma, ações de remediação são impossibilitadas, o que dificulta a erradicação da inercial temática.

Outrossim, os impactos da descriminalização do aborto encontram terra fértil na má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.

Dessarte, medidas exequíveis são imprescindíveis a fim de mitigar o imbróglio. Por conseguinte, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a descriminalização do aborto. Tais práticas devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as condições verídicas da questão. Ademais, os debates são fundamentais a fim de fomentar o engajamento e a proposta ganhar mais visibilidade, logo, a construção efetiva do conhecimento será solidificada. Em suma, atenuar-se-á em médio e longo prazo a nocividade da problemática e a coletividade alcançará o bem-estar.