A questão do aborto no Brasil

Enviada em 14/10/2022

O recente caso de uma menina de 11 anos que foi estuprada e engravidou, colocou em pauta a discussão sobre o aborto no Brasil. Afinal, apesar de a sua legalização ser uma questão de saúde pública, o preconceito da sociedade e a falta de infraestrutura nos hospitais do país não permitem que isso se torne realidade.

A cultura do machismo está altamente presente na população brasileira. Enquanto o abandono paternal é enorme, e as pessoas parecem nem se importarem, a ideia de que uma mulher decida se quer ou não gerar um filho é inaceitável perante a sociedade. No caso dessa garota de apenas 11 anos, por exemplo, vídeos disponíveis no site G1 mostram que ela foi desrespeitada até mesmo pela juíza, que tinha o dever de defendê-la. Tais preconceitos são sofridos por inúmeras mulheres que não estão prontas para serem mães, vindo com justificativas como: “Você poderia ter se prevenido”, ou então, “Deus não permite esse ato”. Contudo, é comprovado que nenhum método anticoncepcional é 100% eficaz, e crenças individuais não podem ser impostas na sociedade em geral.

Ademais, outro fator que dificulta a legalização do aborto é a falta de infraestrutura nos hospitais. Até porque, para que ele seja legalizado, é necessário que a gestante tenha, primeiramente, um acompanhamento psicológico, para que sua decisão seja feita com sabedoria. Essa prática até mesmo diminui os casos de interrupção da gravidez, como é o caso dos Estados Unidos. Além disso, a cirurgia deve ser realizada de maneira segura, para que não haja danos à saúde da mulher. Porém, no caso do Brasil, com a situação da saúde pública, achar que isso é possível seria uma utopia.

Portanto, fica claro que medidas devem ser tomadas para que o problema seja resolvido. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação promova campanhas nas escolas, por meio de palestras - ministradas por profissionais da saúde - que visem explicar para o público infantojuvenil sobre o machismo e os malefícios que ele traz e destaquem que o aborto é questão de saúde pública, para que formem indivíduos mais conscientes para que um dia, juntamente com maiores verbas do governo destinadas a esse fim, a legalização do aborto se torne possível.