A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/05/2026

Avanços tecnológicos, globalização e exclusão digital: diversos são os fatores que permeiam a questão do analfabetismo digital no Brasil. Sob essa ótica, a Constituição Federal assegura a inclusão digital como direito fundamental para todos os cidadãos. Entretanto, apesar dessa garantia constitucional, a desigualdade social ainda é uma barreira perceptível para o elevado número de desletrados digitais.

Precipuamente, destaca-se que o analfabetismo digital não é apenas falta de internet, pois, ao envolver fatores como baixa escolaridade e alto custo de aparelhos tecnológicos, isso está diretamente ligado às vulnerabilidades socioeconômicas. Segundo dados levantados pelo IBGE, mais de 73% dos desconectados possuem apenas o ensino fundamental incompleto ou enfrentam dificuldades financeiras. Tal máxima aponta que essas questões mencionadas ligam-se diretamente à exclusão social e, consequentemente, ao analfabetismo digital. Além disso, não ter contato com o digital, gera desemprego, afinal, para conseguir um emprego e quebrar esse ciclo da desigualdade, é necessário ter conhecimentos tecnológicos.

Ademais, mais de 20 milhões de brasileiros não utilizam a internet, sendo que a maioria desse grupo é composta por idosos. A dificuldade de entender a tecnologia faz com que os idosos percam sua autonomia e dependam de outras pessoas. Um exemplo disso é o SUS, ele migrou para o digital com o aplicativo “Meu SUS Digital”, oferecendo benefícios como acesso a exames. No entanto, essa mudança impôs desafios para a população idosa. Embora o uso da internet tenha crescido, muitos idosos encontram barreiras técnicas, resultando em marginalização digital.

Destarte, torna-se necessária a adoção de medidas para mitigar essa problemática. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover projetos educativos, por meio de oficinas tecnológicas gratuitas e abertas ao público, a fim de ensinar não somente os alunos, mas também o restante da população a usar as ferramentas digitais. Assim, serão garantidos os direitos previstos constitucionalmente, bem como a inclusão de idosos e populações vulneráveis.