A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 01/06/2026

A 4ª Revolução Industrial foi responsável por inúmeros avanços no setor tecnológico, como o desenvolvimento de inteligência artificial e computação em nuvem. No entanto, apesar de diversos benefícios associados, problemas como o analfabetismo digital tornou-se vigente no Brasil. Nesse contexto, convém observar como a desigualdade socioeconômica impacta diretamente na vida dos brasileiros com menor letramento digital.

A princípio, é notório destacar a disparidade socioeconômica como um pilar desse problema. Isso ocorre porque em diversas regiões do Brasil, sobretudo no interior e periferias, o acesso a recursos tecnológicos como aparelhos celulares e internet é reduzido ou inexistente. Dessa forma, habitantes desses locais têm menos contato com a esfera digital e, consequentemente, encontram mais dificuldades para acessar serviços e oportunidades oferecidos por esse meio. Sob essa ótica, esses indivíduos tornam-se ainda mais marginalizados socialmente, o que evidencia o conceito de “Vidas Desperdiçadas”, do sociólogo Zygmunt Bauman, segundo o qual grupos vulneráveis são frequentemente excluídos e tratados como descartáveis pela sociedade.

Além disso, o analfabetismo digital torna os indivíduos mais vulneráveis a golpes e à desinformação, uma vez que a ausência de conhecimentos tecnológicos dificulta a identificação de conteúdos fraudulentos e de fontes confiáveis. Nesse sentido, torna-se mais comum que essas pessoas sejam enganadas por notícias falsas, links maliciosos e esquemas virtuais, comprometendo tanto sua segurança financeira quanto seu acesso a informações verídicas. Tal realidade é evidenciada por dados da Fundação Seade, segundo os quais mais de 80% dos idosos já sofreram tentativas de golpes virtuais em São Paulo, o que demonstra a urgência de medidas voltadas à ampliação do letramento digital.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Logo, cabe ao Governo Federal, junto às mídias sociais, ampliar o acesso à internet em áreas remotas, por meio da instalação de antenas, e intensificar mecanismos de combate à desinformação, como alertas em conteúdos suspeitos. Espera-se, com isso, reduzir o analfabetismo digital trazido pela 4ª Revolução Industrial.