A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 20/10/2026

A Pirâmide de Maslow, formulada pelo psicólogo Abraham Maslow, propõe que apenas após suprir necessidades básicas, como o acesso à informação, o ser humano alcança níveis superiores de realização. No âmbito coletivo, essa lógica mostra que uma sociedade só evolui quando assegura condições mínimas a todos. Contudo, a persistência da questão do analfabetismo no Brasil revela entraves que limitam o progresso social. Diante disso, é essencial discutir dois fatores centrais: a negligência governamental e a desigualdade social.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar a ineficiência estatal como fator agravante do analfabetismo digital. Sob essa perspectiva, o economista Amartya Sen, em sua obra “Desenvolvimento como liberdade”, defende uma concepção de desenvolvimento que ultrapassa o crescimento econômico e envolve a ampliação das liberdades e oportunidades dos indivíduos. Entretanto, essa perspectiva distancia-se da realidade brasileira, visto que a insuficiência de políticas públicas destinadas a garantia do acesso às informações evidencia a negligência governamental diante das necessidades sociais. Como consequência, as pessoas ficam desinformadas sobre o que ocorre fora do seu cotidiano, cenário que restringe as oportunidades da população e dificulta a superação desse impasse.

Ademais, é coerente apontar que a desigualdade social impacta a questão. Na linha desse raciocínio, de acordo com George Orwell, “Somos todos iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”. Diante de tal exposto, é possível perceber que o acesso às informações muita das vezes ficam restritas aos que tem maior poder aquisitivo, já que pessoas mais vulneráveis tem como prioridade gastar seu dinheiro com necessidades básicas como por exemplo alimentação e moradia, fazendo com que não tenham dispositivos eletrônicos, o que dificulta o acesso às notícias e consequentemente restringe seu entendimento sobre situações atuais.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado- instituição soberana e garantidor de direitos fundamentais- por intermédio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, promova a realização de ações comunitárias que ajudem as pessoas a aprender e a utilizar a tecnologia, a fim de conter o analfabetismo digital.