A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O relatório da revista britânica The Economist aponta o Brasil na 31ª posição do ranking de cem países, que avalia preparo, facilidade de acesso, disponibilidade e relevância da internet. Entretanto, quando se observa o quesito alfabetização cai para a 66ª colocação, percebe-se, com isso, a deficiência da educação digital no país. Diante dessa perspectiva, faz-se crucial a análise das causas que favorecem esse quadro e suas consequências.

O primeiro fator que deve ser analisado, em relação à situação em questão, está associado à desigualdade de acesso à internet, que impacta diretamente a qualidade de vida dos indivíduos. Nesse sentido, a lei conhecida como Marco Civil afirma que a conexão digital é essencial ao exercício da cidadania, visto que muitos órgãos públicos e privados a utilizam para oferecer e divulgar serviços. Porém, aqueles que não sabem utilizar essa ferramenta tecnológica, encontram-se excluídos socioeconomicamente, devido à questão financeira, pois alegam que o valor do serviço é caro, cerca de 26% dos domicílios urbanos, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Isso gera o isolamento desses cidadãos da informação e de outras facilidades, como abrir negócios online e realizar cursos profissionalizantes, logo, amplia as disparidades sociais.

O segundo obstáculo, importante para reflexão, é a carência de formação no âmbito da educação. Sob esse viés, falta investimento na capacitação dos professores para o uso das tecnologias em sala de aula, conforme estudo realizado pelo Instituto DataFolha, de 2017, cerca de 60% dos docentes nunca fizeram cursos gerais de informática ou de tecnologias em educação, por conseguinte, a aquisição de conhecimento digital pelo aluno, também, é comprometida. Dessa forma, a persistência desse analfabetismo afeta o ensino e a entrada no mercado de trabalho, já que pode significar a diferença entre a exclusão social e a igualdade de oportunidades, em consonância com o pensamento do filósofo francês, Pierre Levy, para o qual toda nova tecnologia cria seus excluídos.

Portanto, medidas são necessárias para combater efetivamente a questão do analfabetismo digital no Brasil. Para tal, o governo, com o auxílio do Ministério da Educação, deve promover a capacitação de gestores e de professores da rede pública em novas ferramentas tecnológicas, por meio de parcerias com Institutos técnicos e empresas de informática. Logo, melhorar o preparo dos docentes ao fornecer domínio dos aparatos digitais. Também, precisa aumentar a quantidade de firmas que prestam esse serviço, mediante a concessão de subsídios, tornando-o mais barato e disponível a população de regiões carentes e, assim, propiciar a redução das desigualdades.