A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na metade do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa a questão do analfabetismo digital no país, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário é fruto de desigualdades socioeconômicas e da formação no âmbito educacional.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o analfabetismo digital no Brasil, deriva de disparidades socioeconômicas. Segundo Ludwig Von Mises, um dos mais importantes nomes da Escola Austríaca de Economia, o homem quando em liberdade tende a agir buscando a maximização da sua felicidade. Sob essa ótica, nota-se que indivíduos com baixo poder aquisitivo priorizarão serviços de necessidades básicas (como, saúde, alimentação e moradia), em detrimento de educação digital, uma vez que aqueles, por serem essenciais a sobrevivência, lhes farão mais felizes que estes. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedida de ter acesso á tecnologia, fato que consequentemente agrava esse entrave.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente concedida ao analfabetismo digital, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade, uma vez que, as instituições não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes o entrave do analfabetismo na área da tecnologia perdurará sobre o país.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para isso, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre Estado, professores e família, introduzir novos métodos eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tangente à tecnologia do país. Feito isso, atenuar-se-á, em médio e longo prazo o analfabetismo digital, e o Brasil proposto no livro de Zweig, vai estar mais próximo de se tornar uma realidade no presente.