A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o direito a educação, portanto, é dever do Estado assegurá-la. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão do analfabetismo digital no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a divergência de autoridades governamentais para combater a exclusão instrumental nas escolas. Nesse sentido, percebe-se que muitas vezes no ambiente escolar não há computadores com internet disponíveis para os alunos, impedindo um ensino com maior qualidade e dinâmica. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a alfabetização precária como impulsionador do analfabetismo digital no Brasil. Segundo o IBGE, 170 milhões de brasilleiros não sabem utilizar a internet corretamente. Diante de tal exposto, nota-se que uma nova classe emergente de pessoas sem os conceitos básicos para navegar pela internet começa a surgir, aumentando a exclusão digital no país. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, à vista disso, a necessidade de se combater esses obstáculos. Desse modo, o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve criar projetos de ensino e disponibilizar computadores nas escolas para facilitar o  acesso no meio cibernético, com a ajuda de profissionais especializados  na área da educação.  Espera-se, com isso, que as comunidades tenham acesso às novas tecnologias a partir das escolas públicas.