A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Para Zygmunt Bauman, a invisibilidade na era da informação é equivalente à morte. Partindo desse pressuposto, o analfabetismo digital se apresenta como uma problemática contemporânea, impulsionada pelas desigualdades sociais e tendo como consequência a exclusão e marginalização daqueles que não são familiarizados com a tecnologia. Em vista disso, é necessário discutir o analfabetismo tecnológico no Brasil.

Inicialmente, convém destacar que a falta de conhecimento quanto ao uso de tecnologias está intimamente ligada aos índices de baixa renda. De acordo com o Cadastro Único do Governo Federal, 14 milhões de famílias brasileiras estão em situação de miséria, dado que afere a precariedade vivenciada por parcela da população. Assim, é evidente que as camadas mais baixas da sociedade enfrentam maiores dificuldades ao lidar com os aparelhos digitais, uma vez que estão relegadas a baixos níveis de escolaridade e sequer têm acesso amplo às tecnologias.

Outrossim, a condição de analfabetismo digital atribui aos indivíduos que a comportam um status de inferiorização. Segundo Paulo Freire, o analfabetismo é uma proibição imposta às massas populares. Desse modo, ainda que a frase do educador esteja originalmente atrelada à ideia de letramento, tal citação pode ser contextualizada e relacionada com o óbice do analfabetismo tecnológico, posto que esse infere em uma violação da dignidade e da integridade daqueles que não possuem domínio amplo da utilização da tecnologia.

Portanto, diante das problemáticas expostas, é mister a adoção de medidas para combater o analfabetismo digital no Brasil. Logo, depreende-se a urgência de uma ação do Ministério da Educação, mediante a elaboração de um plano de capacitação tecnológica por meio de oficinas gratuitas e lúdicas dentro das instituições de ensino públicas e privadas, com sessões coordenadas por profissionais da área e abertas para a comunidade. Tal plano garantirá a educação digital para todos os interessados, independente de gênero, raça e classe, assegurando enfrentamento abrangente ao problema. Destarte, o analfabetismo digital será mitigado no Brasil, permitindo visibilidade para todos na “era da informação” de Bauman.