A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
‘‘Black Mirror’’ é uma série britânica que retrata os impactos da tecnologia no cotidiano de uma sociedade do futuro, em um de seus episódios, ‘‘Queda Livre’’, fica evidente o quanto as pessoas se tornaram dependentes e vinculadas à tecnologia. Fora da ficção, esse forte vínculo entre o mundo real e o mundo virtual já é muito nítido e, embora traga alguns problemas, tem fornecido diversos benefícios, a saber, a facilidade de se comunicar e de ter acesso a informação. Apesar disso, o analfabetismo digital -que é a incapacidade de um indivíduo utilizar o meio virtual adequadamente-, por conta da negligência governamental, atinge muitos brasileiros e os privam desses benefícios.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que grande parte dos políticos brasileiros, por serem indivíduos mais velhos e que não nasceram em meio ao ambiente cibernético, não entendem a importância de integrar as pessoas com a internet. Segundo o relatório anual ‘‘The Inclusive Internet Indox’’, dos cem países analisados, o Brasil ficou em 66° colocado na questão de alfabetização digital. Dessa forma, é inegável que existe uma grande falha nas políticas públicas voltadas a esse tipo de alfabetização, mostrando a negligência governamental.
Por conseguinte, ocorre um processo de exclusão que reflete e amplia os problemas sociais enfrentados no Brasil. Segundo Durkheim, a socialização é o que permite que os indivíduos possam viver em sociedade e, hordienamente, a internet tornou-se um mecanismo de socialização importantissímo. Nesse âmbito, as pessoas que apresentam analfabetismo digital -que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistíca, normalmente já estão em zonas exluídas da sociedade por conta de suas condições econômicas- apresentarão dificuldades para se socializar, aumentando ainda mais a desigualde brasileira. Assim, fica claro que o analfabetismo digital contribui com a precarização das condições de vida de alguns indivíduos.
Em virtude dos fatos mencionados, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Desse modo, para que a alfabetização digital possa ser mais efetiva, é fundamental que o Ministério da Educação (MEC) permita, por meio da alteração do calendário escolar e da reorganização da distribuição de capital, que todas as escolas tenham acesso a no mínimo uma sala de informática com computadores e ‘‘smartphones’’, nesta sala haverão aulas -ministradas por técnicos em informática que terão acesso a um curso gratuito disponibilizado pelo MEC- sobre como utilizar a internet de maneira segura e adequada. Além disso, essas salas estarão disponíveis para serem utilizadas no contraturno. Com isso, mesmo que o cenário de ‘‘Queda Livre’’ se torne uma realidade, a sociedade estará preparada.