A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Durante o Iluminismo, movimento social do século XVIII, as enciclopédias assumiram um papel fundamental como a melhor maneira de democratizar o conhecimento. Assim como no quadro apresentado, na contemporaneidade, verifica-se um cenário em que a internet assumiu o papel das enciclopédias, entretanto, muitos ainda não possuem acesso a ela ou não usufruem esse recurso da melhor forma, o que caracteriza o analfabetismo digital. Nesse sentido, vale destacar a dificuldade estatal em promover a inclusão virtual e o baixo discernimento da população acerca das informações online como maiores catalisadores da problemática.
Em primeiro plano, é importante ressaltar a ineficiência do Estado em inserir o brasileiro no mundo da internet como uma grande barreira para a alfabetização digital. De acordo com o Artigo 218 da Constituição Federal, é dever governamental a promoção do desenvolvimento tecnológico no país e a inserção da população nesse contexto. Porém, ao analisarmos o fato de que, segundo o IBGE, um quarto dos brasileiros não possuem acesso à internet e o atraso do Brasil nas negociações quanto à implementação do “5G” no território nacional, chega-se à conclusão que os direitos constitucionais não se materializam na sociedade.
Ademais, faz-se mister salientar a má utilização, por parte da população, da internet como uma das protagonistas na manutenção do analfabetismo digital. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercibilidade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que as ações dos brasileiros no meio virtual podem ser encaixadas na teoria do sociólogo, uma vez que, no país, consolidou-se uma sociedade inserida na cultura de propagação das “fake news”, que ocorrem, justamente, pois grupos, com o objetivo de defender uma linha de pensamento, compartilham informações sem a menor preocupação com sua veracidade.
Enfim, é nítida a existência de empecilhos para que o país de se torne um lugar digitalmente alfabetizado. Com essa finalidade, Governo Federal, mediante à programas de distribuição de renda, deve aumentar a verba destinada àqueles que não têm acesso à internet. Em adição, é fulcral que as escolas, por intermédio das aulas de sociologia, ensinem aos estudantes a maneira mais benéfica de utilizar o meio virtual. Para combater o analfabetismo digital, as escolas promoverão discussões nas salas de aula acerca dos sites que são considerados como seguras fontes de informação e da necessidade de se atestar a veracidade de tudo aquilo que os estudantes desejam compartilhar nas redes sociais. Logo, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada, assim como a iluminista, pela democratização do conhecimento.