A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago, declara-se: “Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”. Desse modo, destaca-se a possibilidade de ações que potencializem olhar crítico e ativo para com os inúmeros percalços da sociedade. Infelizmente, existem situações nas quais práticas errôneas são adotadas, como a questão do analfabetismo digital no Brasil. Assim, esse entrave elucida imensuráveis facetas perniciosas (como a desigualdade econômica e a falta de informação no ambito educacional), o que exige atenção ao panorama sociocultural fortemente negligenciado.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar o impacto da disparidade social no acesso aos recursos digitais. Nesse sentido, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade de um país, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade faz com que parcela da população não tenha familiaridade com o ambiente digital, o que resulta na impossibilidade de se adaptar ao uso dessa ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedido de ter acesso a tecnologia, fato que consequentemente agrava esse entrave.

Paralelo a isso, é imperativo destacar a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Com isso, segundo o historiador Roger Chatier, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. Entretanto, na realidade do Brasil esse ideal não é concretizado, pois as instituições não ofertam uma formação para os estudantes dominarem essas ferramentas tecnológicas. Dessa forma, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes, a barreira do analfabetismo no âmbito da tecnologia perdurará sobre o país.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para tanto, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, por meio do planejamento orçamentário anual, fornecendo acesso a equipamentos tecnológicos à essa população, bem como treinar professores da rede pública para ensinarem os estudantes no uso de tais tecnologias. Somente assim, espera-se combater o analfabetismo digital no Brasil e, assim, superar o quadro de desigualdade exposto pelo índice de Gini.