A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

A partir da terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica-Informacional, as inovações nos meios de comunicação ampliaram a troca de informações entre as populações. Nesse contexto, a internet foi rapidamente aderida por todos os países e atualmente é uma ferramenta indispensável para a sociedade. Contudo, muitos brasileiros não sabem como utilizar a internet, o que levou o país a altos níveis de analfabetismo digital. Isso ocorre em virtude da falta de acesso à essa ferramenta, algo que promove a ampliação das desigualdades sociais. Logo, a privação do conhecimento virtual é um entrave para o desenvolvimento do país.

Sobretudo, é evidente que o analfabetismo digital é mais comum nos lares sem internet. Salienta-se que, para saber como utilizar esse recurso tecnológico é preciso ter o acesso à ele. Entretanto, de acordo com uma pesquisa do TIC Domicílios, em 2019, um em cada quatro brasileiros não possuíam internet em casa. Nessa situação, a qual atinge a camada mais pobre da população e a zona rural, o aprendizado das diversas ferramentas digitais, como o Excel, só é promovido em outros locais, como na escola. Mas, sem a possibilidade de uso contínuo da internet no dia a dia dessas pessoas, o conhecimento é obtido de forma lenta e, muitas vezes, se torna inviável. Então, o analfabetismo digital se dá pela falta de acesso ao ciberespaço.

Como resultado, há o aumento das desigualdades sociais. Segundo Pierre Lévy, filósofo francês, “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Por certo, como a internet não contempla a todas as pessoas e por ser uma ferramenta amplamente utilizada na sociedade, haverá a exclusão social. Primeiramente, há a dificuldade de obter informações, pois muito conhecimento é compartilhado nas plataformas virtuais. Em segundo lugar, os indivíduos têm mais dificuldade em possuir um bom emprego, já que o mercado de trabalho está a procura de pessoas mais desenvolvidas tecnologicamente. Assim, o analfabeto digital tem mais impasses na melhoria da qualidade de vida.

Em suma, a privação do acesso à internet provoca o desconhecimento virtual, algo que gera uma maior exclusão social. Portanto, é necessário que o governo crie programas de inclusão digital, os quais deverão permitir que pessoas da periferia e da zona rural tenham acesso à internet, baseando-se no critério socioeconômico das famílias, a fim de viabilizar o aprendizado desse meio de comunicação para toda a sociedade. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação, através de verbas governamentais, disponibilize uma infraestrutura tecnológica para as escolas, como na aquisição de computadores, para que a educação digital seja promovida desde a juventude e, assim, aumentar as chances de ascensão social dos estudantes e futuros trabalhadores.