A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que não veem, cegos que, vendo, não ver”. No trecho do romance “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, critica, pelo meio de metáforas, a alienação de uma sociedade que se torna invisual. De maneira análoga,vê-se que tal obra atemporal não foge da cegueira contemporânea,no qual a esfera coletiva não exerga os malefícios trazidos pelo analfabetismo digital. Isso se deve a dois fatores: a fabilidade legislativa e a inécia social.
Sob esse viés, é válido ressaltar que a inoperância governamental colabora para a continuidade da ausência de alfabetização tecnológica. A saber, conforme a Constituição Federal de 1988, o Estado deve garantir a educação, o bem-estar e a autonomia coletiva. Contudo, segundo o estudo estatístico global, The Inclusive Internet Idex, realizado em 2019, no ranking de 100 nações, o Brasil ocupa 66º classificação a respeito do letramento digital. Logo, nota-se que a ineficiênica do poder público, sobretudo no setor Legislativo, além de contribuir para permanência da falta dos direitos normativos supracitados no âmbito eletrônico, torna-os um privilégio social, visto que políticas públicas atinge toda a sociedade, mas a escassez delas impacta principalmente os pobres.
Ademais, é notório que a negligência populacional favorece a quebra da importância do desenvolvimento da capacidade cognitiva de lêr, gerir e usar a internet. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam o seu entendimento a respeito do mundo. Nessa linha de raciocínio, por estarem imersos em uma outra realidade, a sociedade não percebe a gravidade que a ausência de alfabetização digital traz consigo. Como consequência, a invisibilização dessa questão dentro do corpo social impede a sua resolução no cenário nacional. Assim, a sociedade não consegue identificar o benefício da educação digital, como a sua capacidade de ascensão sócio-econômica, o que, evidencia a máxima de José Saramago.
Portanto, para garantir o efetivo letramento eletrônico, é importante que o Ministério da Educação (MEC) jutamente com os Estados forneça, por intermédio dos tributos públicos, acesso gratuito de informática e de ensino digital. Isso seria realizado a partir da instalação de salas coletivas dotadas de computadores, internet e professores que ensinam lêr, gerir e utilizar os equipamentos, a fim de assegurar na prática o direito, e assim reverter a continuidade do analfabetismo da web. Além do mais, é interessante que o MEC providencia o esclarecimento sobre a importância da alfabetização tecnológica. Tal ação se concretizaria mediante às campanhas publicitárias que seram divulgadas nos veículos midiáticos, como televisões e rádios, com o fito de fomentar no povo brasileiro a necessidade de aprender sobre os novos meios de comunicação, bem como o asceder socialmente.