A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

O fenômeno da Globalização foi responsável por modificar as relações humanas, suas trocas culturais e informacionais. Nesse contexto, as ferramentais digitais são primordiais para uma plena integração social no mundo globalizado contemporâneo. Entretanto, mesmo com a imensa relevância das tecnologias no cotidiano brasileiro, o analfabetismo digital é uma problemática que persiste junto a esse cenário tecnológico. Nesse contexto, o escasso acesso aos conhecimentos disponíveis nas redes pelos analfabetos e a explícita desigualdade social que permeia essa defasagem digital são fatores que configuram obstáculos a serem resolvidos com urgência, para que a Globalização seja efetivamente usufruida por todos os brasileiros.

A priori, as trocas informacionais e o acesso ao conhecimento, facilitados por meio das novas tecnologias, são fundamentais para construir uma sociedade mais culta e consequentemente, mais empática e menos preconceituosa. Nesse contexto, na Antiguidade Clássica, os germânicos eram rotulados como “bárbaros” pelos romanos, que não obtinham pleno conhecimento acerca da cultura e costumes dos povos do norte europeu. Todavia, a partir das invasões bárbaras no território romano, o preconceito quanto à comunidade nórdica foi decrescendo, à medida em que informações sobre a nação eram difundidas. Análogo a isso, na contemporaneidade, é de imensa relevância educacional o papel das ferramentas digitais que propagam diversos conhecimentos que auxiliam o combate à discriminações culturais. Sendo assim, é notório que o analfabetismo digital desacelera a edificação de um Brasil amplamente culturalizado.

Ademais, o escasso acesso às tecnologias contribui para o contexto de analfabetos digitais e essa problemática possui como agravante o quadro de desigualdade social no país. Nesse cenário, o livro “Jogos Vorazes”, escrito por Suzanne Collins, mostra as disparidades existentes entre a rica e desenvolvida Capital - com acerbada tecnologia - e os pobres Distritos - que possuem precária obtenção de meios digitais. Destarte, fora da ficção, é possível relacionar o contexto desigual apresentado nos livros de Suzanne com o Brasil e os fatores díspares socioeconômicos que contribuem com as dificuldades de acesso à educação digital e, assim, tornam parte da população analfabeta.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações interventivas, a fim de minimizar o analfabetismo digital no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Educação - órgão responsável por garantir o pleno e democrático acesso educacional no país - por meio da criação de uma Lei que aumente a obtenção do ensino digital nas escolas públicas, promova o incentivo às trocas informacionais possibilitados pelas redes. Espera-se, que o Brasil minimize o analfabetismo digital e as disparidades sociais que o permeia