A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

A tecnologia é, sem dúvida, o elemento mais importante e característico da Idade Contemporânea. No entanto, ao passo que os países desenvolvidos já discutem o 5G e o início da Quarta Revolução Industrial, o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais relacionadas à distribuição da internet em seu território. De certo modo, computadores, smartphones e tablets ainda são um privilégio no país e há diversas pessoas que não sabem utilizá-los. Por isso, em mundo essencialmente conectado, é preciso promover a alfabetização digital dos brasileiros tanto para proporcionar maior cidadania à população quanto viabilizar o alcance do esclarecimento pelas pessoas.

Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer a internet como uma ferramenta indispensável para o exercício da cidadania. Nesse sentido, torna-se relevante destacar que os principais debates políticos da atualidade são, em verdade, travados nas redes sociais, em ambientes virtuais como o Whats app e o Twitter. Dessa forma, se o debate público e o agir comunicativo são, conforme argumentou Jürgen Habermas, pré-requisitos para a participação no regime democrático, então os analfabetos digitais possuem a sua cidadania restringida, uma vez que são incapazes de se envolver em parte significativa das discussões políticas, as quais ocorrem, em geral, online. Portanto, a alfabetização digital não trata apenas da inclusão social, mas também da questão da cidadania e da democracia.

Ademais, há de se considerar que a tecnologia, por proporcionar amplo acesso à informação, atua como um importante agente para promover o esclarecimento da população. Nessa lógica, ao seguir os argumentos do iluminista Immanuel Kant, é possível entender que o conhecimento presente online é decisivo para impulsionar a saída do estado de minoridade, no qual o indivíduo está sujeito a aceitar acriticamente as decisões de terceiros, para a maioridade, a condição de autonomia do ser pensante, pois a internet fornece referências para que as pessoas possam refletir por conta própria. Contudo, para tanto, é necessário ter acesso aos dados presentes na rede. Logo, para propiciar a autonomia de pensamento no país, é imprescindível difundir a alfabetização digital.

Em suma, diante dos benefícios e necessidades relacionadas à alfabetização digital, torna-se indispensável promove-la. Sendo assim, cabe ao governo federal, junto ao Ministério da Cidadania, criar, por meio dos recursos da União, um aplicativo gratuito para celulares que auxilie e possibilite a alfabetização digital do país, de modo a apresentar instruções e tutoriais de como usar os recursos básicos dos aparelhos eletrônicos e da internet. Com isso, a fim de democratizar o acesso à informação e a tecnologia, o Brasil será uma nação mais inclusiva e desenvolvida.