A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No Brasil contemporâneo, o analfabetismo digital ainda é analisado como um grave problema no país. Isso se deve, sobretudo, à falta de reflexão das pessoas sobre os assuntos contidos na internet e à grande quantidade de analfabetos funcionais presentes no país. Desse modo, é urgente a reversibilidade do cenário em questão.
Em primeiro lugar, um fator que demostra a existência do analfabetismo digital na sociedade é a incapacidade de reflexão nas redes. Um exemplo disso foi a queda no número de pessoas que se vacinaram ou vacinaram seus filhos no ano de 2019, que desencadeou a chance de doenças erradicadas voltarem à ativa, pelo fato da falta de reflexão crítica sobre fake news sobre as vacinas, amplamente propagadas nas redes sociais. Dessa forma, a incapacidade de separar notícias falsas de notícias verdadeiras pode gerar graves problemas para o país e para os cidadãos. Segundo Umberto Eco, as pessoas, principalmente as crianças, precisam ser ensinadas à filtrar informações verdadeiras e falsas contidas na internet. Logo, medidas devem ser realizadas, para que a proposta feita por Eco seja concretizada.
Em segundo lugar, outro fator que colabora com o analfabetismo digital é a existência do analfabetismo funcional, que juntos afetam milhares de brasileiros. Nesse sentido, analfabeto funcional é o indivíduo que sabe ler, mas não sabe interpretar de maneira crítica o que leu e, visto que a falta de reflexão crítica é um dos maiores impasses presentes nas redes, é indubitável que eles coexistem no Brasil. De acordo com Maryanne Wolf, em seu livro “O cérebro no mundo digital: desafios da leitura na nossa era”, as pessoas, pela falta da prática da leitura profunda, estão parando de ler e interpretar devidamente, se tornando analfabetos funcionais, dependentes de informações externas, nem sempre confiáveis. Nesse viés, tais indivíduos se tornam mais suscetíveis a manipulações de comportamento e fake news, por não conseguirem interpretar as informações criticamente. Sendo assim, ações devem ser feitas, objetivando amenizar o problema exposto.
Portanto, visando combater o analfabetismo digital no Brasil, medidas devem ser tomadas. Para isso, urge que o Ministério da Educação, unido às escolas, promova, por meio de aulas e palestras, a conscientização e o ensinamento aos indivíduos sobre como identificar notícias verdadeiras e falsas na internet, de modo que eles desenvolvam a reflexão crítica, para que possam desfrutar dos benefícios dos meios digitais, sem correr o risco de acreditar em fake news. Além disso, cabe ao próprio Ministério da Educação gravar e divulgar tais palestras, objetivando abranger um número maior de pessoas. Assim, os impasses causados pelo analfabetismo digital serão amenizados no país.