A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira, no que tange ao analfabetismo digital no Brasil. Nesse sentido, esse é um notório problema social que persiste sem solução, à custa da negligência estatal e da falta de estrutura educacional.
Primeiramente, nota-se que o descaso do Estado é uma das causas mais nocivas da questão. Nessa esfera, Oscar Wilde, célebre escritor irlandês, defendeu, em suas obras, a ideia de que o primeiro passo é o mais importante na evolução de uma nação. Entretanto, o atual cenário, em relação ao analfabetismo digital, contrária a ideia de Wilde, uma vez que não há nenhuma ação em curso que vise solucionar os impasses trazidos pela questão, como o acesso à internet, um direito que, em meio a uma revolução digital de proporções mundiais, torna-se imprescindível para que todos os cidadãos tenham a possibilidade da alfabetização virtual. Desse modo, faz-se mister a mudança desse quadro de desrespeito às garantias fundamentais.
Ademais, cabe salientar que a frase de Sêneca afirma que “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”, se relaciona fortemente com a questão. Isso, porque o papel das instituições escolares no alfabetismo digital é essencial, contudo, a precarização estrutural desses ambientes evidencia-se como um limitante educacional do panorama, visto que, segundo o DataFolha, cerca de 30% das escolas no Brasil ainda não tem acesso à internet e equipamentos adequados para utilizá-la. À vista disso, embora às instituições de ensino tenham papel fundamental na base da formação cidadã, existem empecilhos que necessitam ser combatidos. Logo, nota-se que a ideia defendida pelo filósofo não é efetuada na sociedade hodierna e isso, de forma infeliz, mostra-se como uma das causas do revés.
Portanto, torna-se necessário agir para que esse impasse seja resolvido. Destarte, o Ministério da Educação em parceria com o Congresso Nacional, órgão responsável pelas funções legislativas da nação, por meio da aprovação de leis que garantem o acesso à internet em âmbito nacional, deve investir em projetos que tenham como finalidade a equipagem das escolas públicas com computadores e redes de banda larga, para que, desde os anos iniciais do ensino fundamental, seja possível democratizar a alfabetização digital das novas gerações. Dessa maneira, a nação dará o primeiro passo para a inserção da população nos meios virtuais e a questão deixará de ser uma pedra no caminho da coletividade.