A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Comunicação facilitada, acesso às noticias e desenvolvimento de conhecimento. Esses são alguns dos contornos que caracterizam a alfabetização tecnológica no mundo contemporâneo, ferramenta nobre que precisa ser incentivada no Brasil, uma vez que se torna evidente que muitos brasileiros não possuem o privilégio de acesso à tecnologia para o autodesenvolvimento pessoal, educacional e profissional. Nesse viés, observa-se a necessidade de promover melhorias no que tange ao analfabetismo digital no Brasil, um cenário desafiador influenciado pela desigualdade socioeconômica, além da falta de formação no âmbito educacional.

Mormente, a desigualdade socioeconômica destaca-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade no país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais no mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade faz com que parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar no uso dessa ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedida de ter acesso à tecnologia, fato que consequentemente agrava esse entrave.                 Outrossim, é imperativo destacar a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Roger Chatier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. Entretanto, na realidade do Brasil esse ideal não é concretizado, pois as instituições não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia perdurará sobre o país.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para tanto, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre estado, professores e família, introduzir novos métodos eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tangente à tecnologia do país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.