A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, a qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é oposto ao que o autor prega, uma vez que o analfabetismo digital apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de questões socioculturais, quanto do silenciamento da mídia. Diante disso, torna-se imprescindível a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeira análise, é fulcral pontuar que a lenta mudança na mentalidade da social mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. De acordo com Durkheim, fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que o analfabetismo digital é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, visto que, se as pessoas crescem inseridades em um contexto social injusto, no qual não tiveram acesso à tecnológia, a tendência é que elas tornem-se analfabetas digitais, o que dificulta ainda mais a sua solução. Desse modo, é substancial a reformulação dessa postura para que essa ideia seja erradicada.
Outrossim, faz-se necessário frisar que o silenciamento midiático configura-se como um entrave no que tange à questão do analfabetismo digital do Brasil. Segundo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Dessa maneira, pode-se obeservar que a mídia, ao invés de estimular debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, posto que o assunto não é abordado nos telejornais e nas novelas, então, a sociedade permanece alheia ao tema. Logo, é fundamental uma mudança desse quadro.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática. Dessarte, com o intuito de mitigar o analfabetismo digital, urge que as prefeituras, em colaboração com o gorverno estadual, proporcionem a criação de oficinas educativas nas escolas públicas. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar melhor visualização do problema, além de palestras para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o analfabetismo digital. Ademais, cabe às Organizações não Governamentais e influenciadores digitais, elaborarem campanhas, por meio de vídeos nas redes sociais, com o propósito de alertar as pessoas sobre a má influência da mídia. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do analfabetismo digital e a coletividade alcançará a coletividade de More.