A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Deodoro da Fonseca ao destronar D. Pedro II e proclamar a república, em 1889, encontrou o país com 85% da população brasileira iletrada. Embora essa taxa tenha sido reduzida neste século, uma nova modalidade de analfabetismo surgiu para inverte a evolução anterior, a digital. O combate a essa nova forma de analfabetismo é um enorme desafio para o país, pois o seu crescimento acentua as desigualdades sociais. Diante disso, cabe análise das causas, consequências e possível solução.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o analfabetismo inibe a mobilidade social dos pobres, ou seja, esse público permanece estático na miséria. No que pese a melhora nesse aspecto, o problema volta a assombrar o Brasil com o surgimento da informática. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, 20% da população, em 2018, não tinham acesso à internet, o que gera a exclusão de 40 milhões de brasileiros. Esse fato, por si só, pode ser responsável pelo agravamento do fosso social que separa ricos e pobres. O pior é que o governo pouco tem feito para mudar esse cenário.

Ademais, esse tipo de analfabetismo é assistido pela população em geral como sendo algo natural. Para o sociólogo Émile Durkheim, essa cultura é caracterizada como “fato social”, isto é, as regras e tradições são aceitas como naturais. Consoante esse pensamento, o homem passa a pensar e agir de acordo com a condição que está submetido. No caso em questão, ter acesso a tecnologia digital não faz parte do seu mundo. Sendo assim, é um absurdo um país como o Brasil manter parte da polução alienada.

À vista disso, é urgente que se inclua toda a população no processo de habilitação digital. Destarte, faz-se necessário que o Governo Federal distribua computares, com rede de internet, para todos os alunos, cujos pais tenham baixa renda. Eles serão identificados pelo Cadúnico- Cadastro Único do Governo Federal. Como forma de financiamento, deverá utilizar recursos do FUNDEB. Além disso, deverá ser oferecido oficinas de informática nas escolas com vagas para os alunos e suas famílias, ministradas por professores capacitados nos programas ensinados. Espera-se, com isso, reduzir o analfabetismo digital, a alienação e aumentar a possibilidade de ascensão social aos pobres.