A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A lei de Proteção de dados, promulgada em 2014, garante a seguridade dos cidadãos brasileiros no âmbito virtual. Entretanto, parte substancial da população brasileira não experimenta da realidade prometida pela norma legislativa, haja vista que o analfabetismo online tornou-se uma problemática enraizada no cotidiano dos meios de comunicação. Nessa perspectiva, a quantidade excessiva de informações simultâneas e, além disso, a ineficiência das políticas públicas conscientizadoras sobre o uso da internet, prejudicam o processo de desenvolvimento digital.

É válido destacar, a priori, a dificuldade na filtração das informações que chegam aos usuários simultaneamente. Nesse viés, Pierre Levy, em sua teoria ´´ Árvore do conhecimento´´, idealiza a cibercultura semelhante à , no qual é necessário a seleção de conhecimentos para a criação de uma inteligência coletiva. Contudo, essa conjuntura não é realidade na sociedade brasileira que, na maioria das vezes, não se preocupa em verificar a procedência dos conteúdos compartilhados. A exemplo disso, de acordo com a ouvidoria câmara, 8 a cada 10 entrevistados diz não se preocupar com a pesquisa sobre o provedor da informação. Por óbvio, o analfabetismo no uso consciente dos meios de comunicação possibilita a disseminação de informações e falsas, dessa forma, a progressão tecnológica é deturpada.

Ademais, a falibilidade das políticas educacionais no âmbito digital compromete a segurança virtual dos cidadãos. Nessa perspectiva, Gilberto Dimenstein, no livro ´´Cidadão de papel´´, promove uma crítica: o paradoxo entre as garantias constitucionais e as mazelas vigentes na sociedade. Assim, essa realidade é evidenciada no contexto contemporâneo, uma vez que a defasagem na alfabetização digital facilita os ataques virtuais. Dessa maneira, a integridade dos usuários é colocada em risco pela ineficiência governamental em garantir o desenvolvimento humano e técnico-científico em harmonia.

Sob tal ótica, torna-se imprescindível promover a consciência digital, com o intuito de fundar a inteligência coletiva teorizada por Pierre Levy. Para tanto, o Ministério Da Educação, por meio de publicidades- a exemplo de cartilhas interativas nas mídias sociais -, deve distribuir um tutorial de como investigar a veracidade da fonte da informação, com o intuito de facilitar a a seleção das informações utéis e, por conseguinte, promover a alfabetização virtual. outrossim,  é função do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do serviço de inteligência, a criação de uma rede de proteção contra ataques cibernéticos, para que haja a seguridade da população. Dessa forma, alcançar-se-á um corpo social em sintonia com o desenvolvimento tecnológico.