A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Em determinada ocasião, o empresário norte-americano e fundador da Apple, Steve Jobs, afirmou: “A tecnologia move o mundo”. Sob essa perspectiva, na contemporaneidade, o avanço do meio técnico-científico-informacional trouxe configurações inéditas para o funcionamento da sociedade. Infelizmente, no Brasil, percebe-se um cenário que impede o pleno desenvolvimento desses sistemas, uma vez que o analfabetismo digital ainda é um impasse nacional. Com efeito, deve-se discutir sobre os elementos que contribuem para esse fenômeno, tais como a escassez de medidas governamentais quanto à instrução tecnológica, além da incapacidade de inúmeros brasileiros de acessar a internet.

A princípio, é mister debater sobre a atual condição nacional no que tange ao analfabetismo virtual, bem como as suas repercussões. Nesse sentido, de acordo com a revista britânica “The Economist”, em uma pesquisa realizada entre 100 países, o Brasil está na 66° posição quanto à alfabetização digital. Dessa forma, infere-se que tal quadro é resultado de poucas ações de instrução tecnológica, porquanto a sua ausência nos centros de ensino afasta a população da aquisição desses conhecimentos. Consequentemente, a incompreensão dessas tecnologias promove a exclusão de indivíduos quanto ao uso desses serviços, como também, torna-os vulneráveis a ataques de cibercriminosos. Logo, constata-se a necessidade de efetivar ações que assegurem tal aprendizagem.

Ademais, infere-se que a disparidade social nacional se estende a possibilidade de conexão nas redes de informação. Nesse seguimento, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% da população não tem acesso à internet no Brasil. Desse modo, aponta-se que essas configurações incapacitam milhões de indivíduos de entrar no ciberespaço. Em conseguinte, substancial parcela da sociedade se torna vítima do analfabetismo digital, dado que a inaptidão de usufruir desses sistemas contribui para o desentendimento de tais tecnologias. Dessarte, comprova-se a premência de atividades que patrocinem a acessibilidade do espaço eletrônico.

Em síntese, salienta-se que o cenário de analfabetismo digital é fomentado pela ausência de mecanismos que visem a instrução tecnológica, assim como fruto da indisponibilidade de acesso à internet. Para a mitigação dessa problemática, o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve ensinar acerca das tecnologias virtuais, por meio de projetos pedagógicos à população, a fim de democratizar o conhecimento eletrônico. Outrossim, o Estado deve introduzir os indivíduos desconectados às tecnologias da informação, por intermédio da criação de “espaços wi-fi”, nos quais haverá a acessibilidade gratuita. Por fim, espera-se que, com tais planos, a tecnologia venha “mover” o mundo do Brasil.