A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Indubitavelmente, seria desejável que os brasileiros rompessem com o analfabetismo digital. Constata-se, porém que, conforme o levantamento da ITU (União Internacional de Telecomunicações) em 2019, o Brasil estava na 70ª colocação do ranking de segurança cibernética, o que revela o quanto o país ainda precisa melhorar. Diante disso, deve-se analisar como a desigualdade social e a ausência de informação provocam a problemática em questão.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a desigualdade social corrobora para o analfabetismo digital. Isso acontece pelo fato de o Estado não garantir acesso à tecnologia e mecanismos digitais, especialmente para indivíduos carentes. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Karl Max, a desigualdade é causada pela divisão de classes, ou seja, só consegue alcançar a modernidade o ser que possue condições eficazes. Logo, os meios de telecomunicações são considerados como essa nova modernidade, na qual é necessário correr para conseguir acompanhar. Consequentemente, o indivíduo de baixa renda acaba que omitido nesses meios tecnológicos e assim, se tornando um analfabeto digital.
Em segunda análise, é fundamental enfatizar que a ausência de informações também influencia tal problema. Isso ocorre devido à influência das redes sociais na vida das pessoas, as quais acabam expondo apenas o lado superficial desses mecanismos e com isso a população continua desinformada. Nesse viés, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, informação em excesso, não significa sabedoria. Contudo, muitos indivíduos que usufruem destes meios se sentem dominados pelas notícias falsas, devidamente por falta de instrução e por acharem que é preciso apenas esta no mundo virtual. Por consequência, as pessoas tendem a continuar analfabetos digitais, por não saberem dominar esses equipamentos e pela ausência de conhecimento.
Depreende-se, portanto, que a desigualdade social e a ausência de informação contribuem para a problemática em questão. Sendo assim, cabe ao governo, juntamente com o Ministério da Educação-orgão responsável pela educação brasileira- promover políticas públicas. Isso por meio da implementação de aulas de informática em escolas públicas e centros públicos de instrução tecnológicas. Ademais, palestras e campanhas de cunho educativo e social, a fim de orientar a população a importância da sua inserção no meio digital. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve chefiar os meios digitais, com o intuito de reduzir as notícias falsas e criar parcerias com estes mecanismo para a inclusão de todos os indivíduos. Só assim, será possível romper com o analfabetismo digital.