A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 09/01/2021

O filme “Um senhor estagiário” narra a história do personagem Ben, que, aos 70 anos de idade, decide trabalhar em um site de moda, onde encontra um mundo digitalizado e, aos poucos, se adapta a nova realidade por meio da ajuda de colegas de trabalho. Fora da ficção, a realidade vivida, principalmente pela sociedade brasileira, é diferente, pois, o analfabetsimo digital é um problema grave, desencadeado, em muitos casos, pela falta de incentivos estatais e pelo individualismo presente na população. Logo, analisar tais entraves é essecial para a superação dessa problemática.

Antes de tudo, é válido destacar como a fragilidade governamental corrobora para o não letramento virtual. Isso porque, as escolas, instituições as quais são responsáveis pela aprendizagem, ainda apresentam bases de ensino arcaicas. Dessa forma, a instrução voltada para o manejo de eletrônicos, por exemplo, é pouco explorada, e essa, por sua vez, é fundamental para a compreensão do uso de aparelhos como celulares e computadores. Diante desse cenário, a teoria do filósofo inglês Thomas Hobbes, que afirma ser obrigação do Estado garantir o bem estar da população, é ignorada, visto que, um indivíduo que não foi instruído digitalmente se sentirá incapaz de lidar com instrumentos tecnológicos e, posteriormente, poderá ser excluído dessa nova realidade.

Além disso, é relevante mencionar como o individualismo da população intensifica o analfabetismo online. Posto que, de acordo com o filósofo polonês Zygmunt Bauman, as relações modernas estão cada vez mais individualistas e apáticas, em que as pessoas vivem em suas próprias bolhas sem se preocupar em ajudar o próximo. Prova disso, são os grupos de idosos que necessitam de um auxílio especial para se inserirem no conexto digital, já que isso, é característica da sociedade contemporânea e, muitos deles, têm dificuldades em lidar com o aparato tecnológico tão recente. No entanto, o que é visto na realidade, é a falta de empatia, muitas vezes, pelos próprios familiares, que alegam não terem tempo para ensinar seus anciões, evidenciando, desse modo, o egoismo defendido por Bauman.

Portanto, superar esse panorama de analfabetismo virtual na sociedade brasileira é crucial. Para isso, o Estado em associação com o Ministério da Educação, deve, por meio de verbas estatais, investir no ensino digital, através da implementação de salas computadorizadas e com profissionais que viabilizem o aprendizado e o manuseio de ferramentas tecnológicas, com o intuito de romper com a forma de ensino arcaico a garantir a alfabetização conectada. Ademais, mídias sociais como a televisão, podem, por intermédio de propagandas, incentivar o auxílio aos grupos idosos no quadro computacional, evidenciando a importância de ajudar essa parte da população a aprender usufruir das novas tecnologias. Somente assim, a realidade vivida por Ben na ficcção será possível na vida real.