A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Com o advento da quarta Revolução Industrial e o surgimento da internet o mundo experimentou um grande avanço no campo das telecomunicações e veiculação de conhecimento. Contudo, tendo em vista a questão do analfabetismo digital crescente no Brasil percebe-se que tais benefícios não foram universalizados. Nessa perspectiva, cabe analisar as raízes do entrave, como a ineficiência estatal e a exclusão de minorias, para que se possa superá-lo.

Diante disso, convém ressaltar que o analfabetismo digital deriva da baixa atuação dos setores governamentais na adequação do ensino básico às novas tecnologias. Isso se evidencia frente às crises vivenciadas por alunos durante a pandemia da Covid-19 em 2020 quando, devido ao isolamento social, as aulas escolares passaram a ser remotas e muitos indivíduos enfrentaram dificuldades para lidar com as plataformas digitais de ensino. Nesse lógica, tal contexto resulta de um ensino tradicionalista que exclui os aparelhos com acesso à internet do ambiente escolar em virtude de sua associação ao lazer e não a uma possível fonte de conhecimento, o que implica em um desenvolvimento acadêmico deficitário, que prejudicará o desenvolvimento pessoal dos indivíduos.

Ademais, é importante pontuar a exclusão de minorias como impulsionadora do problema. Nesse viés, segundo o artigo terceiro da Constituição Federal de 1988, compele ao Estado o combate às desigualdades sociais. Entretanto, isso tem sido desrespeitado no Brasil, uma vez que, em um contexto de rápidos avanços tecnológicos, grupos sociais como os idosos têm ficado à deriva de seus benefícios, em razão do descaso governamental em instruí-los sobre os recursos e riscos da utilização de aparelhos computadores e celulares. Assim, ocorre a facilitação de golpes financeiros pela utilização incorreta de recursos como transferências bancárias por aplicativos ou, ainda, a segregação nociva desses grupos a tais benefícios digitais.

Dessa maneira, medidas são urgentes para conter o analfabetismo digital no Brasil. Destarte, urge que o Ministério da Educação, em parceria como o Ministério da Ciência e Tecnologia, deve promover minicursos básicos para o uso de tecnologias digitais para toda a população, sobretudo os mais idosos. Essa ação será feita através da contratação de profissionais qualificados e será ministrado em mais de horário em canais abertos de televisão, para que o maior número de pessoas seja alcançado. Nessa ótica, o curso deverá abordar todos os tipos de uso dos aparelhos com acesso à internet, como a possibilidade de estudar diversos assuntos, compras, transações financeiras, assim como os riscos deles. Desse modo, haverá um maior proveito dos benefícios das tecnologias e a desigualdade social será atenuada.