A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2020 pretende incluir o acesso à internet como um dos direitos fundamentais dos indivíduos, os quais estão presentes na Constituição Federal de 1988. Nesse contexto, percebe-se que a tecnologia, em suas diversas manifestações, tem se tornado uma ferramenta indispensável no cotidiano da população, sendo utilizada para lazer, educação e trabalho, por exemplo. No entanto, nota-se que uma grande parcela da população não desfruta destes privilégios: a falta de educação digital acarreta uma sociedade despreparada para o desempenho de atividades corriqueiras que estão se modernizando paralelamente aos avanços tecnológicos.
Precipuamente, percebe-se que o analfabetismo digital encontra as suas raízes na inexistência de um ensino que instrua o cidadão no devido entendimento desses aparelhos modernos. Dessa forma, em concordância com o filósofo Immanuel Kant, que afirma que o ser humano é resultado da educação que teve, o não aprendizado acerca das ferramentas digitais resulta em uma pessoa analfabeta nesse sentido. Assim, em muitos casos, a falta de uma cultura social que debata os avanços pelos quais a sociedade passa - sendo este um tipo de ensino, produz indivíduos intelectualmente atrasados, não conseguindo acompanhar e usufruir das funcionalidades presentes no dia a dia.
Por conseguinte, a evolução de tarefas cotidianas para o ambiente digital se tornou algo inviável para as pessoas que não possuem o conhecimento acerca destas tecnologias. Segundo o pensador Pierre Lévy, a sociedade está conectada de tal maneira que a realidade e o virtual se entrelaçam, mostrando que, cada vez mais, os aplicativos estão ocupando o espaço de instituições físicas. A exemplo desta afirmativa, pode ser citada a existência, por meio da internet, de compras online, bancos digitais, EaD (educação a distância), entre outras ferramentas, as quais facilitam a realização de atividades outrora feitas somente de maneira presencial. Porém, quando uma parcela expressiva da população não tem acesso a estes privilégios, ela se torna marginalizada e se distancia da realidade vivida pelos outros.
Portanto, deve-se enfrentar o supracitado enredo. Para tal, urge que o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), em parceria com empresas de tecnologia privadas, estimule a população para o conhecimento das novas tecnologias, explicando sobre as funcionalidades existentes nos aparelhos digitais, bem como a importância de se ter esse tipo de entendimento mediante o mundo globalizado e, em partes, virtual. Esta ação se dará por meio da veiculação, nas redes socias, televisão e rádio, de propagandas e campanhas que conscientizem e instiguem o público-alvo a se inteirar das inovações tecnológicas, com o objetivo de reduzir o número de analfabetos digitais, contribuindo para a formação de uma sociedade integralmente privilegiada no ramo digital.