A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, o que se observa é um panorama distante, uma vez que o analfabetismo digital é contrastante e, dificulta a concretização dos planos de More. Seja pela marginalização social, seja pela tardia ascensão brasileira no que tange à educação. Logo, a busca de medidas a fim de cessar a permanência deste cenário antagônico no Brasil é fundamental.
Em primeira análise, é evidente a ineficácia do Estado em democratizar o acesso à internet no país. Sob esse viés, no hodierno cenário composto por grande avanço tecnológico, um cidadão sofre marginalização social ao ser desprovido do acesso à internet e, consequentemente, privado de gozar da plena cidadania. A Constituição Cidadã decreta como dever público manter e zelar efetivamente por condições dignas no que concerne à educação e, sobretudo, liberdade de expressão. Entretanto, a realidade prática diverge da teoria magna, se opõe à “Utopia” e nega prerrogativas constitucionais basilares.
Ademais, é imperativo ressaltar a carência do acesso à educação como importante causa de tal conjuntura. A tomada de posturas passivas e acríticas diante de situações relevantes é vista como fruto da alienação e da ignorância para a sociologia moderna, consoante, para o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Porquanto, é intrinseca a relação de causa e consequência entre não ter acesso aos meios digitais e à educação e, uma vez que isto é vivenciado somente pela minoria o desconhecimento dos impactos práticos desta instabilidade induz ao negacionismo e ao sentimento apático. Desse modo, faz-se mister o reconhecimento deste problema social.
Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar a perpetuação do analfabetismo digital na sociedade brasileira. Em virtude disso, é imprescindível que o Poder Executivo direcione capital que, por intermédio do Poder Legislativo e do Ministério da Educação, será revertido não só na criação de uma lei que democratize a internet, mas também promova a construção de novas escolas. Isto posto, com o fito de minimizar a marginalização social, instruir os cidadãos à como desfrutar dos benefícios da internet e promover a educação no país. Dessa forma, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.