A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Segundo o filósofo grego Platão, “A necessidade é a mãe da invenção”. Essa afirmação pode ser evidenciada pela Revolução Técnico-Informacional do século XX, a qual trouxe inúmeras inovações tecnológicas para atender às novas demandas da sociedade, como a internet. Contudo, ao analisar o cenário brasileiro, pode-se perceber que nem todos os brasileiros têm aproveitado os benefícios tragos pelo avanço tecnológico, uma vez que há um sério analfabetismo digital no país. Esse grave problema é decorrente da ineficácia estatal, aliada à própria falta de interesse de parte da população.

Antes de tudo, é válido destacar que, conforme o economista britânico John Maynard Keynes, “É dever do Estado garantir o bem-estar social de seus cidadãos”. Assim, é possível afirmar que a falta de investimentos públicos nas instituições de ensino é um fator determinante para a problemática, visto que, segundo dados divulgados, em 2017, pelo Censo Escolar, 10% das escolas públicas não possuem água, tratamento de esgoto, energia e, por consequência, não possuem estrutura para ofertar laboratórios de tecnologia. Desse modo, os indivíduos crescem sem saber o básico de informática, o que gera a marginalização desses indivíduos. Nesse viés, fica claro a contribuição do Estado para a permanência do analfabetismo informacional.

Outrossim, a própria falta de interesse da população em se capacitar é outro agente responsável pela perpetuação da problemática. Consoante a isso, as informações divulgadas, em 2017, pelo portal G1, mostram que 74% dos brasileiros não se interessam por cursos de qualificação. Sob essa óptica, é inteligível que tal desinteresse coopera para que esses indivíduos não aprendam a utilizar as diversas tecnologias disponíveis no Brasil, o que promove o agravamento da falta de alfabetização digital no país. Nessa perspectiva, pode-se compreender que apatia de certos cidadãos pela qualificação é outro entrave para plena promoção da educação tecnológica na sociedade brasileira.

Diante do exposto, o governo federal, agente responsável pela administração das questões que afetam todo o país, deve, por intermédio do Ministério da Educação, aumentar os recursos destinados à reformas estruturais das escolas, realizar a construção de laboratórios de informática e ampliação das escolas técnicas, como os Institutos Federais, a fim de garantir o acesso à educação digital a todos. Além disso, deve, por meio de parcerias com as empresas emissoras de conteúdo, criar campanhas nos meios de comunicação, rádio e televisão, sobre a importância da qualificação tecnológica para o crescimento profissional dos indivíduos, com o fito de não só conscientizar a população a buscar capacitação, mas também permitir com que os avanços da Revolução Técnico-Científico sejam democratizados a todos os brasileiros.