A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Em um episódio de “Os Simpsons”, do Matt Groening, é introduzido para a população uma nova tecnologia. Porém, as pessoas não sabiam utilizá-la. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: o analfabetismo digital. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se a como a insipiência estatal e a insistência do senso comum fomentam a problemática.
Primeiramente, há de se constatar a displicência governamental. Precipuamente, no livro “Cidadão de Papel”, do Gilberto Dimenstein, é dito que as leis efetivas se encontram majoritariamente na teoria. Outrossim, ao analisar a carência de políticas públicas disponibilizadas pelo governo a fim de realizar a educação das pessoas em relação às tecnologias digitais, é perceptível que esse imbróglio se relaciona com as palavras do autor. Dessa forma, há de constatar que, infelizmente, a problemática fere os princípios normativos da Constituição federal de 1988 e causa o recrudescimento do cenário em que muitas pessoas não sabem utilizar mídias digitais.
Ademais, vale ressaltar que a lacuna educacional corrobora esse quadro. Além disso, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas ao não desenvolverem um conhecimento sobre as tecnologias digitais, podem acabar por confiarem em muitas falsas informações vistas na internet sem ao menos pesquisar sobre elas, como as fake news. Nesse viés, o Brasil, está em quarta posição mundial dos países que mais confiam em dados que são observados em meio digital, conforme a The Economist. Desse modo, confirma-se que o meio social influi negativamente sobre o analfabetismo digital.
Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar o analfabetismo digital. Portanto, cabe ao Ministério da Educação e às mídias, instituir dentro das escolas projetos como o “Aprenda sobre as tecnologias digitais”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e internautas experientes, a fim de expor, debater e combater as consequências do analfabetismo em relação às mídias. Assim, será possível distanciar-se do hediondo cenário apresentado por Groening.