A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/10/2021
A Constituição Federal de 1988, defende o direito à cidadania e educação para qualquer cidadão. No entanto, percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão do analfabetismo digital no Brasil. Visto que parte da população tem seus direitos negados, ao ser impedida de usufruir do universo digital, devido ao despreparo educacional e as consequências geradas por essa desqualificação, o que, além de grave, torna-se um problema inconstitucional.
Sob esse viés, a falha na base educacional contribui com o desequilíbrio no meio digital. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx argumenta que a função social da escola é combater a alienação e formar cidadãos competentes e integrados ao mundo social, o que inclui o campo tecnológico. Entretanto, no Brasil atual, essa concepção não é concretizada, já que a Escola não se adaptou às mudanças ocasionadas pela tecnologia e não ensinam os alunos sobre os benefícios ou ameaças das mídias. A título de exemplo, os estudantes não são capacitados para o uso de ferramentas básicas, como: pesquisas na internet, cálculos em planilhas e edição de textos. Além disso, não prepara os alunos para os desafios que eles encontram diariamente no meio virtual, tais quais: a falta de ética de internautas que disseminam notícias falsas, comentários ofensivos ou conteúdo impróprio. Dessa maneira, o papel da Escola não é cumprido, dado que o indivíduo conclui o ensino sem adquirir aptidão para integrar o meio digital.
Consequentemente, a falta de conhecimento leva ao uso irresponsável da tecnologia. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Desse modo, se as pessoas não recebem acesso à informação séria, bem como à educação digital, sua perspectiva será limitada, o que pode torná-las vulneráveis e despreparadas para as informações que encontram na internet, visto que, devido ao analfabetismo digital, essas pessoas não confirmam a veracidade dos fatos encontrados nas mídias sociais. Dessa forma, o cidadão pode se tornar um problema no meio virtual, pois além de não perceber quais conteúdos são nocivos, também não seleciona o que ele consome e compartilha nas redes.
Portanto, é essencial que o Estado tome providências para amenizar o quadro de analfabetismo digital no país. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) deve investir em políticas nacionais educativas, por meio de palestras em escolas sobre o uso responsável das ferramentas digitais, que serão ministradas por professores e especialistas em tecnologia, a fim de capacitar os jovens e suas famílias ao uso da internet. Tais palestras poderão ser transmitidas nas redes sociais do MEC, com o intuito de incorporar os usuários de eletrônicos e assim fazer valer a Constituição.